A opinião de Pedro Cabeça
Em Abril indiscutíveis vitórias!?
9 de abril de 2018
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No mês de Abril a democracia revela a sua força em Loures, as oposições saem da sombra e revelam a sua musculatura, conseguindo impor visões de oposição, com alguma cedência do executivo que gere a Autarquia.
Por muito que se pudesse argumentar, duvidas não existem, neste momento, que a oposição fez ceder (despertar?) o executivo, o qual teve de encarar a actual realidade de uma governação minoritária sem coligações vodka/laranja ou geringonças, tal como afirmámos, desde que foram conhecidos os resultados das eleições autárquicas, a governação não iria ser nada fácil considerando a opção de governação minoritária.
Era previsível esta situação, era previsível que seriam necessários compromissos, cedências, e bom senso, a verdade é que o primeiro teste da actual governação autárquica para impor sem negociação a prestação de contas do SIMAR acabou por fracassar, mérito ou simples braço de ferro, a verdade é que a oposição disse presente e mostrou um cartão amarelo ao executivo, que teve de ceder onde talvez não esperasse.
Falta saber se o executivo levou aquele orçamento porque entendeu ingenuamente que não teria dificuldades em o aprovar por ser um bom orçamento, porque pensava que o mesmo estava negociado em conjunto com o orçamento da câmara, ou simplesmente porque queria mostrar a sua força. E falta saber se a oposição fez este finca pé de forma consciente.
Certo é que os tarifários dos SIMAR, já aprovados, acabam por ser revistos, bem como os investimentos que decorrem da queda de receita do tarifário agora acordado.
Agora temos de saber se a indiscutível “vitória” da oposição produz os efeitos desejados, até porque não sabemos, até ao momento, que investimentos caem (e qual o impacto futuro desta queda) bem como ainda faltará o parecer final da ERSAR sobre os novos Tarifários negociados.
Assim não podemos, ainda, peremptoriamente afirmar que esta batalha chegou ao fim com indiscutível vitória da Oposição.
E assim chegamos a Abril e vemos pequenos rasgos do que é a democracia que, como dizia Churchill, “ … é a pior forma de governo, à excepção de todas as outras que têm sido tentadas de quando em vez".
O presente artigo de opinião foi escrito de forma dolorosa sem a pressão, e habitual compreensão, do Pedro Santos Pereira, que, por motivos ponderosos, nos privou da sua lúcida, responsável e acutilante companhia. E por diversas vezes pensei na sevilhana “Algo se muere en el alma, cuando un amigo se va” - Algo morre na alma quando parte um amigo, é um vazio que deixa uma marca que nunca se apaga. Um poço sem fundo que jamais se enche.
Até Sempre caríssimo Director, Até sempre Pedro.