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Pedro Cabeça – Advogado
Pedro Cabeça
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A opinião de Pedro Cabeça

A fé de Maio

24 de maio de 2017
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Loures entra em Maio em estilo Primaveril, com promessas de floridas realizações, ou melhor entra em Maio com promessas floridas, de um paradisíaco mandato protagonizado por um Executivo, que diz ter feito deste Concelho o Jardim do Éden. Mas por muito que se proclame em cinzento despacho o Jardim de Éden, a realidade não se revoga e o que vamos vendo são quatro anos de mandato a chegar ao fim, com realizações que não existem, pintadas em estilo comunicacional. A verdade é que, envergonhado com a sua nudez, este Executivo tenta tapar com parra a sua evidente inactividade, ou os erros que também cometeu e que não quer admitir. A verdade é que ouviremos, cada vez mais, os arautos das histórias fantásticas, e as “sherazades“, em luta pela sobrevivência. Mas, a realidade, por muito que se tape, está por aí. E está por aí também o descontentamento/frustração de munícipes e trabalhadores, a expectativa existia, mas a realidade contrariou a expectativa de alguns crentes, que hoje apenas têm nos braços uma mão cheia de estagnação.
O concelho de Loures estagnou num momento em que o País parece avançar, mas os tais supra citados arautos, parecem esquecer que hoje estamos num outro contexto económico, parecem esquecer que a austera realidade financeira que vivemos de 2009 a 2014, não é a que hoje vivemos. Hoje temos mais recursos disponíveis (até por via de medidas tomadas pelo Governo Central), mas em Loures não temos projectos de desenvolvimento que se vejam. Afinal qual foi a aposta deste Executivo em prol Município e dos seus munícipes? A resposta é parca perante um significativo aumento de recursos disponíveis. Em suma, qual a grande aposta deste Executivo?
Crença? Fé? São essas as grandes bandeiras? É verdade que neste mês teremos a visita do Papa Francisco, nas comemorações do centenário das aparições de Fátima, mas para o nosso Concelho é preciso bem mais do que ilustre visita e tamanha fé. Dos executivos queremos a realidade, a fé é própria das religiões. Em Outubro quando voltarmos a escolher o executivo municipal a fé não será certamente um motivo para votarmos neste ou naquele projecto, o que queremos é ter certezas do que podemos esperar.
E por falar em aparições, o momento político de Loures parece que atesta o que por aí se comenta, que as aparições televisivas de comentadores de futebol são cartão-de-visita para o caminho autárquico. Mas se é certo que os comentadores não marcam golos, pelo menos devem saber as tácticas todas.
Agora ao correr do texto reparo que este mês de Maio, não fosse o dia do trabalhador e seria um estranho regresso aos Três Fs (Fátima, Futebol e Fado), promovidos noutros tempos, bom eu sei, falta o fado, mas com tamanha estagnação e falta de vento lembrei-me daquele poema de José Régio que aqui reproduzo o início:
“O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.”

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