Anuncie connosco
Pub
Opinião
Patrícia Duarte e Silva – Psicóloga Clínica
Patrícia Duarte e Silva
Psicóloga Clínica

A autoimagem pode ser definida como a visão que temos de nós

Quando o olharmo-nos ao espelho pode ser uma tortura

1 de outubro de 2016
Partilhar

A autoimagem pode ser definida como a visão que temos de nós mesmos, tendo como base as nossas vivências passadas, as presentes e as expetativas futuras. É na infância que começamos a construir a nossa imagem através da interação com pessoas significativas.

O contexto sociocultural em que estamos inseridos faz com que estejamos predispostos a uma grande preocupação com a aparência e com o atingir os padrões de beleza impostos pela sociedade. Importa perceber quando é que a preocupação com a autoimagem passa de algo que nos traz bem-estar e satisfação para algo carregado de sentimentos de angústia e sofrimento, que originam comportamentos prejudiciais e interferem negativamente na vida de uma pessoa.

A Dismorfofobia é uma alteração da perceção e da valorização corporal que consiste numa perturbação psicológica caracterizado pela preocupação obsessiva com algum defeito inexistente ou mínimo na aparência física. As causas desta perturbação são variadas, podendo ser biológicas, psicológicas, sociais e culturais.

Na adolescência, os comentários dos pais, familiares e especialmente dos amigos adquirem uma enorme importância. Se juntarmos às dúvidas e inseguranças características da adolescência com as inúmeras imagens vendidas pela comunicação social, que enfatizam a ideia do “corpo perfeito” como meta e como solução para a felicidade, é compreensível que, numa altura da vida em que o culto da imagem é uma das prioridades, os adolescentes se sintam obrigados a seguir rigidamente os estereótipos de beleza que lhes são propostos para ser aceites.

A dismorfofobia prejudica na maior parte das vezes a vida social do adolescente ou do adulto. A dificuldade em socializar prende-se com o receio dos julgamentos que o outro possa fazer em relação à sua aparência física, causando grande ansiedade e stress.

Na tentativa de corrigir ou melhorar uma imperfeição real ou apenas percecionada pelos próprios, algumas pessoas tendem a procurar de forma intensiva cuidados médicos escusados e excessivos e procedimentos como a cirurgia estética. Estes procedimentos conduzem muitas vezes a insatisfação e podem piorar a sensação de imperfeição. O cirurgião plástico deve estar atento e fazer o devido encaminhamento, evitando a cirurgia.

Se a dismorfofobia for severa, as pessoas podem abandonar a escola, deixar o emprego ou evitar sair de casa. Nos casos mais severos, podem mesmo tentar o suicídio.

Alguns sinais e sintomas deste transtorno

• Frequentes comparações e comentários sobre a aparência das outras pessoas;

• Sensação de ansiedade e desconforto em ocasiões sociais;

• Evitamento de ocasiões sociais em que sinta que a sua imperfeição está exposta, como ir à praia;

• Não deixar que as pessoas lhe tirem fotografias;

• Usar demasiada maquilhagem ou excesso de roupa assim como o uso de óculos escuros ou chapéus para tapar o rosto;

• Verificar repetidamente a aparência de alguma parte específica do corpo em espelhos;

• Movimentar as mãos e o corpo de maneira a que escondam determinadas partes do corpo.

O primeiro passo para o tratamento consiste no reconhecimento da doença por parte do paciente, pois por vezes existe uma baixa adesão ao tratamento visto o paciente não aceitar o diagnóstico. O tratamento para a dismorfofobia pode envolver uma abordagem combinada com medicação e psicoterapia, ajudando o paciente a ultrapassar a imagem distorcida que tem da sua aparência física. A psicoterapia cognitivo-comportamental tem proporcionado bons resultados.

É importante validar que é algo positivo que a pessoa goste de se cuidar, que tenha a opção de recorrer a tratamentos e até mesmo a cirurgias. O problema está quando existe uma preocupação excessiva com a beleza, podendo colocar a vida do próprio em perigo.

Última edição

Gala Notícias de Loures

Gala | Notícias de Loures

Opinião

Eleições

Newsletter