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Opinião
Patrícia Duarte e Silva – Psicóloga Clínica
Patrícia Duarte e Silva
Psicóloga Clínica

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Gestão de conflitos ou a arte da negociação… nas férias

6 de agosto de 2016
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Conflito é uma palavra comum no nosso léxico e faz parte do nosso quotidiano. Todos confli¬tuamos no dia-a-dia, quer seja na família, na nossa relação a dois, no trabalho, com os amigos, etc. O conflito é parte integrante da vida do ser humano, faz parte da nossa vivência enquanto seres sociais em constante interacção com os outros.

O conflito surge quando exis¬tem perspectivas, interesses ou objectivos diferentes face a pessoas, objectos ou opiniões, assim como quando há a neces¬sidade de escolher entre situa¬ções difíceis de conciliar. A falta de literacia emocional, isto é, a capacidade de compreender as nossas emoções e as dos outros, sentir empatia e gerir de um modo construtivo os nos¬sos sentimentos, especialmen¬te em pessoas susceptíveis a sentimentos intensos e dolorosos (raiva, frustração, medo, controlo, entre outros) potencia o apareci¬mento destas situações.

A questão que se coloca é: quan¬do é que devemos enfrentar o conflito ou quando devemos relevar a situação em causa?

Agora com a chegada das férias, contrariamente ao que possa¬mos pensar, os conflitos podem aparecer entre o casal. Os com¬promissos diários comprome¬tem por vezes a comunicação, a intimidade e a espontaneidade entre ambos. A falta destes com¬promissos nas férias, o tempo a dois mais prolongado, a tarefa de cuidar dos filhos a tempo inteiro traz ao de cima determinados conflitos que ficaram por resolver durante o ano ou que, pura e sim¬plesmente, foram sacudidos para “debaixo do tapete”.

As férias de Verão são, para mui¬tos, um período difícil de gerir, pois o casal é confrontado com uma realidade diferente daquela com que lida durante o resto do ano e tem de se adaptar.

E, claro, tudo isto só pode ser superado através do diálogo.

Por isso, durante as discussões, evite que a carga emocional se sobreponha à essência da ques¬tão em disputa.

Se o seu companheiro/a tiver dificuldade em separar as ques¬tões, oriente a discussão para os problemas e, consequentemente, para as soluções. Evite que o conflito se centre naquilo que cada um pretende, ou não, indi-vidualmente, mas sim no que é satisfatório para os dois enquan¬to casal.

Ouça-o/a e devolva o que enten¬deu da mensagem transmitida.

Obtenha a confirmação de que foi mesmo aquilo que ele/a quis dizer, muitas das vezes no calor do momento as palavras são ditas não da maneira que gos¬taríamos, mas carregadas de segundos sentidos, insinuações ou até não verdades.

Se sente que está zangado/a, frustrado/a, tente acalmar-se e, se necessário, interrompa a discussão. Se sentir que a dis¬cussão está a tomar proporções desadequadas, resuma os pon¬tos em que concordam e em que discordam e convide-o/a a apresentar soluções alternativas.

Pense nisto antes da passagem ao conflito:

• Saiba ouvir: os melhores comu-nicadores do mundo são, incon-testavelmente, os melhores ouvintes;

• Ponha a conversa em dia: todos aqueles assuntos que ficaram por falar por falta de tempo, por¬que a ocasião não era a mais propícia…;

• Seja humilde: Ao estarmos abertos a novas ideias, deixa¬mos que os outros nos provem que também há outras ideias correctas;

• Aproveite para renovar a rela¬ção: faça uma escapadinha. Mesmo com filhos, dá sempre para um cafezinho a dois;

• Exercite a paciência: a paciên¬cia é um atributo fundamental para um relacionamento interpes¬soal saudável;

• Reparta as tarefas entre todos: afinal, as férias são de todos, por isso cada um pode ter a sua tarefa atribuída;

• Relativize: pense duas vezes, será que o problema é sério ou uma boa conversa pode ajudar a resolvê-lo?

E lembre-se: a existência do conflito pode também promo¬ver o nosso crescimento e o nosso desenvolvimento pessoal, tornando-nos aptos a lidar com novas situações ou, como disse Einstein: "Uma mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original".

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico

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