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A maioria são reformados e homens de negócios das grandes multinacionais

O povo milenar que adora inovação

1 de outubro de 2016
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Povo de contrastes e contradições, os japoneses não estão em grande número na sociedade portuguesa. A maioria são reformados e homens de negócios das grandes multinacionais. Mas há também os extravagantes.

É pequena, mas muito fiel a comunidade japonesa a viver em Portugal. Com pouco mais de 600 residentes, quase religiosamente contabilizados, os japoneses vêm para Portugal, maioritariamente, para passar os «dias dourados» ou em representação das várias multinacionais com origem naquele país asiático. Natsuki Konagaya, responsável pela Informação e Assuntos Culturais da Embaixada do Japão, explica, na primeira pessoa: «A 1 de outu- bro de 2015, estavam registados na embaixada 594 japoneses residentes em Portugal. Supõe- se, no entanto, que haja alguns que não estejam registados, por isso, o número deve andar à volta dos 600 residentes.

A maior parte destes japoneses habita na área da Grande Lisboa, do Grande Porto e do Algarve». Composta por reformados, que escolhem o sol algarvio ou outros destinos mais turísticos para passar o último terço da vida, porque «Portugal tem um clima mais agradável do que o Japão», a comunidade japonesa em Portugal tem uma longa tradição. Como Portugal é considerado um país «barato e muito amigável e acolhedor», os japoneses, sem- pre que podem, fazem uma visita de lazer.

«Por norma, vêm do Japão para Portugal, todos os anos, cerca de 90 mil japoneses, em turismo, seja económico ou de lazer, isto sem contar com os que vêm de Espanha, Alemanha ou Inglaterra, entre outros, que não são contabilizáveis», revela Natsuki Konagaya. Além dos reformados e dos turis- tas que prolongam a sua esta- dia, a comunidade japonesa em Portugal é constituída também, em larga escala, por homens de negócios, nomeadamente res- ponsáveis de filiais de grandes multinacionais. E não faltam as multinacionaisjaponesaspresen- tes em Portugal.

Outro segmento são as japonesas casadas com portugueses e que vieram viver para Portugal, onde tiveram os seus filhos. «Há ainda um últi- mo segmento, que são os estu- dantes japoneses que estão cá para aprender português», conta Natsuki Konagaya. No que toca a idades, a maior parte dos japoneses a viver em Portugal está nas faixas dos 30 a 40 e dos 60 a 70 anos. Já no que se refere à religião, a posi- ção dos naturais do país do sol nascente é, no mínimo, curiosa, como desvenda o responsável da embaixada: «A principal reli- gião dos japoneses é o budismo, mas, para nós, a religião é algo muito íntimo e que não tem muita importância.

No Japão, celebra- mos os nascimentos dos bebés, tanto como o Natal ou outras datas importantes, sem olhar a religiões. É um pouco compli- cado de compreender, para os outros povos. Para os japoneses, a religião não tem o mesmo signi- ficado do que para os europeus. É claro que há exceções, há pessoas muito crentes, mas por norma, não é muito importante».

ENTRE A CULTURA MILENAR E O «POP»

São várias as iniciativas para divulgar a cultura japonesa em Portugal. Não necessariamente a cultura milenar que celebrizou o país dos Samurai, mas um misto, que inclui também o «anime» e o «cosplay». Ao longo do ano, «a embaixada desenvolve várias iniciativas e eventos culturais, sendo que a principal é a Festa do Japão, que tem lugar no mês de junho. Vamos já na sexta edição e tem corrido sempre muito bem.

Este é o maior evento em Portugal para mostrar as tradições japonesas e a parte mais moderna da nossa cultura, o nosso lado pop», adian- ta Konagaya. «Normalmente, convidamos grupos de música e dança tradicional japonesa e contamos também com represen- tações de ‘cosplay’, em que os jovens encarnam personagens de ‘anime’ e fazem demonstra- ções», acrescenta. Numa tentativa de misturar a cultura tradicional com a mais moderna, a festa muda de local de ano para ano, sendo que, em junho último, foi realizada no Parque das Nações, em Lisboa.

Além da festa, existe também uma rede de grupos de cultu- ra japonesa, denominada Japan Net, que inclui várias entidades ligadas à cultura japonesa. Existe ainda uma associação de japoneses de âmbito nacional, que funciona com voluntários. Todos os anos, em janeiro, essa associação organiza uma reunião de fraternidade para toda a comunidade japonesa a viver em Portugal. «Normalmente, nestas reuniões, conseguimos juntar cerca de 100 pessoas, num grande almoço, em que todos convi- vem e partilham experiências», conta Konagaya.

A associação tem duas escolas de japonês para crianças, uma em Lisboa e outra no Porto. Apesar de frequentarem a escola portuguesa, os japoneses fazem questão de manter viva a língua entre os mais novos. Quanto à integração, a convivên- cia entre dois povos pacíficos por tradição parece quase perfeita.

«Os portugueses são um povo acolhedor para os povos estrangeiros e essa é uma das razões porque os reformados japoneses vêm viver para cá, onde podem estar em paz», explica o responsável da embaixada. «Portugal é um país muito pacífico, que não tem problemas de terrorismo nem catástrofes naturais», por isso «é muito ao gosto dos japo- neses», defende Konagaya. André Julião

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