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À boleia das chamadas «reformas douradas»

Franceses «invadem» Portugal

3 de dezembro de 2016
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Estima-se que sejam bem mais de 20 mil os franceses atualmente a residir em Portugal. Impelidos pelos programas governamentais dos últimos anos, sobretudo os que isentam os reformados estrangeiros oriundos da União Europeia de impostos durante 10 anos e lhes conferem um estatuto especial, os franceses vieram em massa para Portugal. Trazem a família, e os filhos ou netos, em idade escolar, vão estudar para o liceu francês. E ficam por cá.
«A partir de 2014, recebemos muitos pedidos de informações, por causa da notícia de que Portugal tinha criado um estatuto especial para os reformados estrangeiros», conta ao NL Françoise Conestabile, presidente da Union des Français de l’étranger (UFE) Portugal para a região de Lisboa e conselheira consular. «Os franceses, tais como outros reformados oriundos de diferentes países da União Europeia, mostraram-se muito interessados, sobretudo devido ao fato de não pagarem impostos durante 10 anos», explica a responsável.
O chamamento do governo funcionou em pleno com os franceses, que começaram a imigrar em massa para Portugal. A maior parte gostou do país e ficou por cá a viver. Mas, esta vaga de imigrantes do país de Asterix não é exclusivamente constituída por reformados. «Os membros da nossa associação são maioritariamente reformados, mas há muitas pessoas mais novas, sobretudo na casa dos 40 anos, que chegam com as suas famílias, ou até mais jovens que vêm para abrir restaurantes e outros negócios», sustenta Françoise Conestabile.
A verdade é que quem chega, gosta de cá estar e não faz tenções de regressar a França. «Os franceses gostam bastante de viver em Portugal, e penso que estão agora a descobrir verdadeiramente o país», acrescenta. «Houve uma altura em que os portugueses iam em massa para França e agora está a acontecer o contrário, o que é muito interessante», aponta Françoise Conestabile.

Promover a integração e a cultura

A vaga de imigração gaulesa é bem visível no número de novos alunos inscritos no liceu francês, em Lisboa. «A escola tem recebido muitos alunos novos que vêm acabar o liceu, um aumento ainda mais visível nos últimos dois a três anos», avança Françoise Conestabile.
Os franceses são já, de acordo com dados da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, os maiores compradores de imóveis em Portugal, tendo superado os chineses. A maioria tem posses ou um nível socioeconómico elevado sendo, maioritariamente, licenciados ou mestres. Muitos vivem no Algarve, por causa do clima, mas há uma grande parte a residir em Lisboa ou no Porto e até noutras regiões do país. O bairro com maior população francesa em Lisboa é a zona das Amoreiras e todo o território em torno do Liceu Francês. No entanto, hoje há franceses por toda a baixa lisboeta, no Rossio, em Alfama, Bairro Alto e nas Avenidas Novas.
A UFE Portugal ajuda os seus conterrâneos nos primeiros tempos, sobretudo com a língua, um dos maiores obstáculos à sua integração. «O objetivo da nossa associação é oferecer aos franceses que chegam a Portugal as melhores condições para viverem no país», explana Françoise Conestabile. «Nesse sentido, ajudamos as pessoas, promovemos a nossa cultura e literatura, organizamos eventos, fazendo com que os franceses conheçam melhor os portugueses e ajudando à sua integração», acrescenta a responsável.
A organização de eventos conjuntos, que permitam reunir as duas comunidades, é, por isso, uma aposta forte da UFE Portugal. «Organizamos muitas vezes saídas culturais, nomeadamente visitas a povoações fora das grandes cidades e com grande interesse histórico e cultural, como Alcobaça, Évora, Mafra», conta ainda Françoise Conestabile.
Além dessas saídas, a UFE Portugal organiza conferências, workshops, exposições e até provas de vinhos. «No ano passado, organizámos uma conferência sobre a História de Portugal e este ano desenvolvemos uma saída à descoberta dos vinhos portugueses, que incluiu provas de vinhos», revela a conselheira. As iniciativas da UFE Portugal costumam ter muita adesão por parte dos franceses que vivem em Portugal, sobretudo os que habitam em zonas limítrofes da capital, como Setúbal, Azeitão e Sesimbra.
A ideia é aproveitar as temáticas culturais e da vida do país para promover a integração dos franceses na sociedade portuguesa. «Para o ano, vamos organizar uma grande festa para assinalar os 15 anos da UFE Portugal, a 14 de outubro», revela a responsável.

André Julião

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