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Chegada a altura das férias, quem tem animais de estimação nem sempre sabe o que fazer

Animais de estimação: O que fazer nas férias?

7 de agosto de 2018
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Chegada a altura das férias, quem tem animais de estimação nem sempre sabe o que fazer ou o que é mais indicado, pelo que fomos falar com especialistas na área de comportamento e treino animal e, com pet sitters e hotéis que fornecem soluções variadas, embora existam alternativas a custo zero.

Depende do tipo de animal e personalidade

Especialistas em comportamento ou treino animal como é o caso de Roger Abrantes, cientista e treinador de animais, doutorado em biologia evolucionária e etologia, Gonçalo da Graça Pereira, médico veterinário doutorado em ciências veterinárias e mestre em etologia clínica e bem-estar animal, assim como António Henriques, um dos poucos treinadores certificados “em raças potencialmente perigosas” e que se encontra em Odivelas, são unânimes em afirmar que a solução depende do tipo de animal e da sua personalidade. Isto supõe que o tutor do animal conheça, previamente, as características e necessidades da espécie, bem como a sua personalidade, coisa que raramente acontece, muitas vezes, por nunca se ter pensado que faz toda a diferença. O animal ser novo ou velho ou ter certos hábitos pode, também, influenciar a escolha e o seu transporte deve ser feito, se possível, em caixas ventiladas e, viagens de avião, não são aconselhadas.

Despesas e tempo

“Ter onde deixar um animal nas férias, por regra, custa dinheiro, tal como alimentá-lo adequadamente, prestar-lhe os cuidados veterinários necessários, ter espaço e tempo e, as pessoas passam grande parte do dia fora porque têm que trabalhar”, refere Roger Abrantes. É por isso tão importante que, acolher um animal na família não seja fruto de um impulso e se pondere se existem, ou não, todas estas condições e, quando não existem, não podemos tê-los pois, é daí que decorrem os problemas de comportamento.

Cães

No caso dos cães, a solução ideal será levá-los com a família nas férias, já que poderão estar juntos mais tempo, no entanto, tal requer planeamento e saber se existem as condições adequadas. Uma moradia com espaço exterior é o ideal, mas talvez já não o seja um quarto de hotel. O cão “vai ladrar, correr, há cheiros e pessoas novas, pelo que não é uma boa ideia”, refere o cientista. Já para António Henriques, “um cão que esteja habituado ou treinado a ir para um tapete ou caminha, possibilita que o dono o leve para um quarto diferente e ele se comporte”. O plano B, será ter um familiar ou amigo que cuide do animal durante a ausência, mudando-se lá para casa ou levando-o para a sua. “O importante é que o animal saiba estar sozinho em casa e, este foi sempre o problema número um (de comportamento)”, acrescenta Roger Abrantes, pelo que educá-lo a estar no seu ambiente natural é fundamental. Se não tiver com quem o deixar, existe uma vasta oferta de hotéis para animais, bem como pessoas que se dedicam a cuidar dos bichos.

Gatos

No caso do gato, os especialistas estão de acordo ao afirmar que a solução ideal é deixá-lo em casa, tendo quem cuide dele, exceto nos casos de gatos muito adaptáveis e relaxados, que já estão habituados a ir para a casa de férias. Como é raro, “é sempre melhor que fiquem no ambiente deles, de controlo, que conheçam, mesmo que possa haver algum stress por alguém lá ir a casa”, refere Gonçalo da Graça Pereira. O mesmo se aplica a outros animais domésticos, como é o caso do coelho ou do porco da índia.

Saber observar o comportamento

“Uma das formas de aprendizagem dos cães é por associação, como tal dependendo da associação que o cão tem com o espaço ou as pessoas assim será o sentimento. Se o local em que é deixado estiver associado a experiências agradáveis e de diversão, alguns cães começam a dar sinais de excitação, caso contrário mostram comportamento de evitação ou não querem sair do carro na zona olfativa onde estão para ser deixados. Os cães sabem que estão em determinada zona ou local pelo cheiro”, refere o treinador. E “os sons são, também, importantes, sendo esse conjunto que o cão identifica”, salienta o cientista.

Partilha a custo zero

Um dos hábitos que começa a ser cada vez mais comum no estrangeiro, é a troca de tarefas entre amigos, ficando à vez com os animais ou “trocando” de casa durante cada ausência, sem custos. À semelhança do que se fez com a “partilha de carros” da zona sul para Lisboa, também as autarquias podem ter uma base de dados online, de pessoas identificadas e com disponibilidade para trocar tarefas com animais. “Em Portugal há, pelo menos, uma autarquia que o faz” e “se estas bases de dados partirem das autarquias tem mais força”, diz-nos Gonçalo da Graça Pereira, pelo que aproveitamos para lançar o desafio à Câmara Municipal de Loures, simples de fazer e sem custos.

Pet sitters e Dog walkers

Podendo ser encontrados com facilidade, fazendo uma busca na internet, à semelhança da babysitter que cuida de crianças, o pet sitter é alguém que substituirá o detentor na alimentação, cuidados de higiene e saúde, brincadeiras e passeios. Já o dog walker só tem como função passear o cão. Para António Henriques, “o pet sitter é muitas vezes uma pessoa que gosta muito de animais mas que não possui conhecimentos sólidos de treino ou comportamento, ainda que opine sobre os mesmos”, sendo os três especialistas unânimes quanto à necessidade de formação especializada. Entender-se com um pet sitter depende do animal, “se teve boas experiências com pessoas, com uma desconhecida não deverá haver problemas, mas se é desconfiado, certamente não se sentirá confortável, até se habituar à mesma”, refere o treinador.

 Dog walker na Portela

Ricardo Fernandes, tem 24 anos e vive na Portela. A paixão por cães fê-lo, aos 15 anos, distribuir uns panfletos onde se oferecia para passear cães e cedo chegaram os telefonemas. Conhecido na zona, algumas são as pessoas que lhe deixam a chave, para que trate dos seus cães e os passeie até fora das férias. Vai a casa três vezes por dia durante uma hora e cuida, passeia e brinca com os animais, serviço que custa 30 euros por semana.

Consequências da ausência

Para Roger Abrantes, “deixar o cão no hotel ou com um pet sitter não o faz sentir-se abandonado nem lhe faz mal, pois eles adaptam-se melhor do que pensamos, quem lhes cria os handicaps são os donos”.

Qualquer que seja a solução adotada, podem existir consequências menos agradáveis no regresso a casa, caso os cuidados e estimulação física e cognitiva não sejam os adequados, já que atirar a bola não é estímulo suficiente. É, por isso, decisivo escolher bem e que, quem cuida deles, tenha as competências necessárias.

Hotéis de animais em Loures

Os hotéis são, por norma, espaços amplos, com boxes individuais que disponibilizam alimentação e dois passeios diários, apesar de outros extras disponíveis, com preços a partir dos 12 euros por dia. A maioria tem, ainda, serviços de transporte, banhos, tosquias e, por vezes, excelentes comodidades, como música ambiente.

Grande parte só aceita cães, aconselhando-se a visita ao hotel antes da estadia, de forma a saber “que diferenças existem e se as rotinas do local não variam muito das suas”, salienta o veterinário.

 Quinta do Valverde

Situada em Bucelas desde 2002, possui 36 boxes com uma área interior de 6 m2 e exterior de 9 m2, com grande conforto. No exterior, há cinco parques de recreio, com 210 m2, inseridos numa área vedada. O proprietário João Paulo Barba refere que “96% dos residentes são cães e só aceitamos gatos que estejam muito habituados a ficar em hotel ou convivam com cães”.

Esgotado até ao final de agosto, não aceitam estadias inferiores a cinco dias, sendo a média de oito. Os preços começam nos 18 euros por dia, numa box individual, com 2 passeios diários de cerca de 15 a 30 minutos e, a alimentação é fornecida pelo detentor ou pelo hotel por mais 1,90 euros. Os tratadores são pessoas que têm formação prévia, embora não certificada e, membros do programa Vitória ou do ACP têm desconto.

 Quinta da Patada

Localizada numa zona rural em Santo Antão do Tojal desde 2011, está licenciada pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária onde existe, também, uma “escola para donos de cães”, essencial para o proprietário Daniel Gameiro. Num terreno com 8 mil m2, dispõe de 15 boxes individuais, com áreas compreendidas entre os 15m2 e os 60m2, comportando uma zona coberta, descoberta e outra com sombra.

Esgotada até ao final de agosto, só aceita cães, incluindo “perigosos e de raça potencialmente perigosa” e, a estadia mínima, nesta época, é de cinco dias. O preço diário numa box com alimentação para um cão é de 12 euros e, se for partilhada por 2 a 4 cães é inferior.

Quinta do Sol

Localizada em Bucelas desde 1997, tem lotação esgotada até meados de setembro. “Acreditamos que as férias dos cães devem ser tão divertidas como as dos donos”, diz-nos Nuno Fernandes, proprietário do local. Com 55 alojamentos com 10 a 20m2, recebem cães e propõem atividades e mimos para os animais, entre 2 e 18 euros, tais como bed & biscuits, fitness ou sessões de natação. Os preços da época alta são de 18 euros por cão e, 28 ou 36 euros no caso de serem dois ou três cães, acrescidos de 1,50 euros por animal se pretender alimentação e, diminuem na época baixa.

TC – Treino Canino

Este pequeno alojamento familiar permite que a proximidade com os animais seja maior pois, tem apenas 8 boxes individuais, que às vezes até permitem resolver problemas de socialização. Não fazem distinção entre época alta ou baixa e aceitam todo o tipo de cães e raças, incluindo os “potencialmente perigosos”, uma vez que Tânia Carvalho, responsável pelo local e treinadora, está devidamente certificada como detentora daquele “tipo de animais”. “Nesta época do ano estamos lotados e nota-se cada vez mais a preocupação dos tutores em deixar os seus animais em lugares de confiança, com referência de amigos e com bom aspeto”, refere a responsável.

Os preços são de 12,50 euros ou 15, caso inclua alimentação, inferiores no caso de serem dois ou mais cães.

 

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