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“A grandeza de um país e o seu progresso podem ser avaliados pela forma como trata os seus animais”

7 de agosto de 2018
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Não sendo a primeira vez que se ouve dizer que a associação Chão dos Bichos, na Murteira, é “um conjunto de barracas que dão mau aspeto ao Concelho”, acreditamos que, o esforço realizado pela autarquia para mudança de instalações, está incluído no projeto de valorização do Concelho embora, até lá, seja necessário sinalizar ou colocar lombas na via junto ao abrigo, assim como reforçar as vedações.

Reabilitar zonas degradadas

 Muitas foram as notas deixadas pelo presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, no discurso efetuado no âmbito das condecorações municipais do passado dia 26 de julho, de entre elas, a valorização do território e o “embelezamento” do Concelho.

Sendo este o quinto maior Concelho do país, com uma elevada densidade populacional, veem-se ainda zonas muito degradadas, bem como famílias a viver no limiar da pobreza. Daí que, Bernardino Soares tenha salientando a reabilitação do Bairro da Torre e talvez, também, daqui decorra o empenho com a criação de condições para os animais da Chão dos Bichos.

 “Barracas que dão mau aspeto ao Concelho”

Apesar dos habitantes da localidade considerarem que a Chão dos Bichos faz um bom trabalho, a associação não é acarinhada por alguns deles e, já foram apresentadas queixas e feitas ameaças e agressões. Ser “um monte de barracas que dá mau aspeto ao Concelho” é o maior fundamento, refere Ana Sousa, presidente da associação.

Na altura em que foi construído, com meios próprios e ajuda de voluntários e amigos, o abrigo era adequado ao número de animais existentes. Contudo, o abandono sucessivo ao longos dos anos fez com que tivesse que se improvisar o espaço, de forma a acolher tantos novos animais.

Atropelamento de animais

Por muito que diariamente se tente improvisar o conserto das redes e vedações existentes à volta da Chão dos Bichos, de forma a que nenhum cão venha para a estrada, não é a primeira vez que animais são atropelados na via, junto ao local. Também não é a primeira vez que um cão que não é do abrigo é atropelado e todos eles são socorridos, com custos acrescidos para a associação. Também algumas pessoas já apanham sustos, quando se cruzam com condutores que abusam da velocidade até porque, o abrigo fica numa curva e, não se entendendo porquê, não há qualquer sinalização.

Sinalização da via junto ao abrigo

Se há um maior potencial de presença de algum animal na via, se tal pode causar um acidente e se alguns condutores são mais acelerados, devia existir sinalização de alerta e redução de velocidade. À semelhança do que acontece junto às escolas e as lombas podiam ser, também, uma solução, pelo que fica feito o apelo à autarquia.

Famílias sem recursos

Conforme já referimos antes, só em Loures, há registados mais de 12.500 animais de companhia, número que corresponde a cães cuja morte não foi averbada, pelo que no total, entre outros cães, gatos, coelhos e outros, a realidade deve ir além do triplo. Acontece que, muitas são as famílias com dificuldades para se sustentar mas, mesmo assim, têm animais de estimação. Logo, nem as famílias nem os animais podem viver em condições minimamente adequadas pelo que, o bom senso dita que não os podem ter, por muito que custe.

Aguarda-se a data da mudança

A associação aguarda nova reunião com a Câmara Municipal de Loures pois, a migração dos animais para local mais adequado continua sem data prevista e, na última assembleia municipal, foi referido que tal não aconteceria “em dois, três ou seis meses” diz-nos Ana. Bem sabemos que estes processos não são imediatos, que a autarquia tem parecido esforçar-se e que se verificaram alguns contratempos, uma vez que o primeiro terreno a ceder não tinha possibilidade de ter água e, a ligação à rede pública custaria à associação cerca de 28 mil euros, acrescidos do pagamento mensal de cerca de mil e quinhentos euros de consumos. Um ano e meio depois desta notícia ter sido dada à autarquia esta mudança é, agora, efetivamente urgente. Dispensam-se ameaças e as casinhas, redes e vedações começam a ceder, sem possibilidade de resistirem a mais um inverno de chuva, vento, frio e lama.

Civismo e compaixão

Chegámos a uma época em que a educação, o civismo, a compaixão, o respeito e a entreajuda deviam ser pedras basilares no comportamento e interação dos indivíduos e das sociedades. E o desenvolvimento de um país mede-se, efetivamente, pela forma como trata as suas crianças, idosos e animais, responsabilidade de todos nós.

“A sua própria vida é uma luta”

Ana só pretende dar condições aos animais e não quer guerras com munícipes pois, a sua própria vida já é uma luta. Mas já que as queixas são sobre “as barracas”, é possível que no Concelho haja quem queira ajudar a melhorar o local, até que ocorra a mudança.

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