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Notícias | Saúde

Tais como o amor e a gratidão

O poder das emoções positivas

9 de julho de 2018
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Emoções positivas, tais como o amor e a gratidão, são utilizadas hoje pela psicologia positiva, um ramo recente da psicologia, como forma de dotar as pessoas de recursos que as tornem mais resilientes ou seja, mais aptas a lidar com os percalços da vida, prevenindo ou tratando doenças do foro mental, tal como nos explica o psicoterapeuta Américo Baptista, especialista nesta área.

Sabia que ser feliz é contagioso e que pode treinar as emoções como se exercitasse um músculo do corpo? E sabia que as emoções positivas ajudam a prevenir e a curar doenças, alteram a forma como os nossos genes se expressam e podem contribuir para o crescimento do concelho de Loures e até do país?

Américo Baptista é licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada e Doutorado em Ciências Biomédicas, na especialidade de Psicologia, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Com 40 anos de experiência, premiado na sua área de atuação e membro de associações nacionais e internacionais, escreveu quatro livros, um dos quais sobre “O poder das emoções positivas”, faz palestras por todo o país e é convidado assíduo de programas de televisão.

“É preciso olharmos para o que dá certo com as pessoas.”

A psicologia positiva

A psicologia tradicional tem o foco na “eliminação do sofrimento das pessoas”, no que não dá certo, no entanto, qualquer pessoa tem em si aspetos positivos que podem ser desenvolvidos, mesmo quando está triste. E foi disto que se apercebeu Martin Seligman quando em 1988, na altura presidente da American Psychological Association, deu origem à “psicologia positiva”, procurando estimular as características positivas individuais, dos relacionamentos e das organizações. De acordo com Américo Baptista, “pretende-se que indivíduos e comunidades ‘floresçam’, isto é, que seja criado um estado de saúde mental positivo, que as pessoas consigam lidar adequadamente com as dificuldades da vida, com vitalidade emocional e que funcionem positivamente nas áreas privada e social da sua vida”.

Emoções positivas

Para o psicoterapeuta, as emoções positivas “são as nossas experiências que nos sabem bem”, em oposição às negativas, que são aquelas “que não nos sabem bem”. Se eu for a atravessar a estrada e ouvir um carro travar, não me sabe bem, sinto medo ou ansiedade mas, quando como a minha comida preferida, sabe-me bem.

“É uma vacina social, é dar às pessoas as suas melhores competências de forma a poderem enfrentar qualquer problema na vida.”

Cultura da felicidade

Portugal é um país onde se cultiva a tristeza e o lado negativo das situações e das pessoas, mas a parte boa é que é possível mudar. Se nos permitirmos estar alegres e olharmos para os aspetos positivos das pessoas e dos acontecimentos, que existem sempre, não só nos sentimos melhor como contagiamos os que estão à nossa volta. Não basta pensar positivo porque os acontecimentos ocorrem na mesma, o que muda é a forma como lidamos com eles.

“Pelas minhas experiências de vida influencio o modo como os meus genes se expressam.”

Maior felicidade e longevidade

Há um perfil neurológico e endocrinológico associado quer às emoções positivas, quer às negativas. Situações de stress ativam o cortisol no organismo, hormona que danifica os nossos órgãos. Já a boa disposição desencadeia oxitocina, cuja produção os protege.
Se estivermos a passar por um período difícil temos mais propensão a doenças, pois o sistema imunitário fica mais debilitado.
Daí que as pessoas mais bem dispostas sejam mais resistentes e, como tal, mais felizes e vivam mais. O próprio ADN, através de uma nova expressão dos genes, beneficiará até as gerações futuras.

“As emoções positivas levam-me à excelência, quase sem eu querer, sem esforço, surge naturalmente.”

Políticas positivas nas organizações

Quando criamos um clima positivo nas empresas e nas comunidades, as pessoas são mais criativas, mais flexíveis e funcionam melhor, sentem-se bem nos seus empregos em vez destes significarem um aborrecimento. Há empresas que promovem momentos lúdicos, tais como jogos, já que colaboradores mais bem dispostos resolvem melhor os problemas.

“Há registo de experiências que demonstram que a melhoria do bem-estar dos funcionários numa empresa aumenta o rendimento entre 10% e 12%, uma vez que aqueles ficam mais felizes, mais coesos, mais criativos e produzem mais.”

Os países precisam de políticas positivas

O mesmo se aplica às cidades e aos países, que funcionam como grandes empresas podendo, eventualmente, aferir-se o nível de felicidade de um país através de quem o gere. De acordo com o relatório mundial da felicidade referente a 2017, Portugal ocupa o 89º lugar num total de 155 países, sendo o mais triste da Europa. É por isso que o investimento, quer do governo quer das autarquias, incluindo a de Loures, em políticas que tornem os cidadãos e os seus funcionários felizes só traz vantagens, que se podem repercutir até no crescimento económico. É que os tempos mudam e, com eles, as estratégias e, só se criam pessoas mais envolvidas dando-lhes condições melhores.

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