Anuncie connosco
Pub
Notícias | Saúde

Este artigo é o último de um conjunto de artigos sobre o parto

O Parto (Parte V)

6 de fevereiro de 2017
Partilhar

Rita Santos | Médica

 

Este artigo é o último de um conjunto de artigos sobre o parto e explica alguns procedimentos obstétricos.

 

Intervenções obstétricas

O uso sistemático de procedimentos como a indução por conveniência, a monitorização fetal contínua, a episiotomia, o jejum, a imposição de limites na duração da dilatação e da expulsão estando a mãe e o bebé bem, a rotura artificial das membranas e a administração de oxitocina estão desaconselhado pela OMS e são justificados pela evidência médica. Muitos obstetras acreditam que tornam o parto mais seguro e rápido mas concorrem, juntamente com o ambiente desadequado de alguns hospitais, para tornarem os partos disfuncionais e então surgem as cesarianas e os partos instrumentais evitáveis e as episiotomias desnecessárias.

Não é uma questão frívola, estes procedimentos se efetuados sem indicação podem prejudicar o normal trabalho de parto e aumentar a probabilidade dum parto assistido. Contudo são estas mesmas intervenções quando aplicadas na presença de forte indicação obstétrica que permitem iniciar e manter a progressão de partos necessários e aliviar de forma rápida e eficaz o verdadeiro sofrimento fetal.

Aborde este tema com o seu obstetra e informe-se das rotinas da maternidade onde vai ter o parto.

 

Parto natural

No “parto natural” as intervenções obstétricas são reduzidas ao mínimo necessário para a avaliação da progressão do parto e do bem-estar da mãe e do bebé e o alívio da dor e o aumento da contractilidade são não farmacológicos.

A acupunctura, a homeopatia e naturopatia são referidas acerca do parto natural no entanto não são métodos naturais. Estas medicinas complementares, tal como os fármacos convencionais, têm efeitos secundários e adversos e contraindicações.

No parto natural, estando a grávida e o feto bem, não se estabelecem limites para cada uma das fases e é normal os partos prolongarem-se. O parto natural surge associado aos conceitos de parto em casa e aos movimentos humanizadores do parto. É uma visão redutora, um parto natural pode decorrer numa clínica ou hospital com ambiente propício, permitindo um rápido acesso aos cuidados médicos.

Ainda associada ao “parto natural” está a ideia de todas as mulheres o poderem ter. Não é verdade, para algumas mulheres são necessárias intervenções médicas para desencadear o parto ou manter a sua progressão e com uma atitude minimamente intervencionista será também um “parto natural”.

 

Bem-estar fetal

A avaliação do bem-estar fetal durante o parto é realizada através da auscultação do foco cardíaco do feto avaliando-se a frequência cardíaca e a sua variabilidade em relação com as contrações. Existem duas formas de a fazer:

- A forma descontínua, na qual o feto é auscultado intermitentemente com um estetoscópio próprio ou uma sonda sobre a barriga da mãe.

- A forma contínua, na qual o feto é permanentemente monitorizado com uma sonda fixa ao abdómen materno por bandas elásticas que rodeiam o tronco.

A monitorização contínua pode gerar uma ansiedade desnecessária à grávida pois as alterações na maior parte das vezes não têm significado grave, para além de dificultar a sua movimentação mas tem a vantagem de avaliar todo o processo do parto e permitir a rápida atuação em caso de anomalias. É comum o coração do bebé deixar de se ouvir apenas porque o bebé mudou de posição e é preciso recolocar a sonda.

Perante “suspeita de sofrimento fetal”, pode ajudar a mãe mudar de posição e corrigir eventual desidratação ou hipoglicémia. A placenta tem mecanismos de segurança e a hemoglobina fetal (transporta o oxigénio muito eficazmente) o que permite algum tempo para reavaliar a situação e tomar decisões. Em algumas situações o obstetra recorre à colheita se sangue da pele da cabeça do bebé analisando o valor do pH (acidez do sangue) e do oxigénio.

Na avaliação da “suspeita de sofrimento fetal” é decidido deixar progredir o parto vaginal com ou sem intervenções ou realizar cesariana; mesmo quando se opta por cesariana a grande maioria dos bebés nasce sem qualquer problema.

 

Toque vaginal

O toque vaginal é a técnica de observação utilizada para avaliar o colo uterino e a apresentação fetal durante o parto. É realizada por obstetra ou parteira. Com a grávida deitada de costas, de joelhos flectidos e afastados, são introduzidos delicadamente o indicador e o anular na vagina até se tocar no colo. Se o colo for permeável aos dedos estes introduzem-se no orifício externo do colo e afastam-no avaliando-se em centímetros o diâmetro da dilatação. Mede-se também o comprimento do colo se não estiver apagado, a sua consistência (mole, duro) e espessura (grosso, fino).

Os toques para verificar a dilatação do colo antes de decidir induzir e/ou administrar oxitocina, anestesia ou epidural são necessários ao obstetra.

Não é um procedimento doloroso mas pode ser desconfortável em particular se a grávida não relaxar os músculos do períneo (envolvem a vagina). É um exame delicado, numa zona muito sensível e ligada à intimidade e sexualidade feminina.
Pode falar sobre este assunto com o médico assistente ou incluí-lo num plano de parto.

 

Indução do parto

A indução justifica-se por razões de saúde materno-fetal. Por conveniência da grávida ou do obstetra é questionável. A indução é proposta por exemplo na gravidez prolongada (41-42 semanas), na suspeita de insuficiência placentária, na rotura espontânea de membranas se não se verifica início de trabalho de parto, em caso de doença materna como hipertensão ou diabetes gestacional.

No entanto, mesmo com um colo “maduro” nem sempre a evolução é favorável e muitas induções terminam em cesariana, geralmente por “suspeita de sofrimento fetal” ou “paragem do trabalho de parto”. O parto é um processo complexo sendo impossível prever o resultado duma indução.

Na indução é realizada uma intervenção externa no sentido de desencadear o trabalho de parto; nas técnicas farmacológicas utilizam-se análogos das prostaglandinas E, a oxitocina ou ambos. As prostaglandinas atuam no colo uterino iniciando o seu amadurecimento e os consequentes ciclos de contrações. A oxitocina provoca contrações e é geralmente utilizado após as prostaglandinas.

Perante a indução do parto não deixe de participar ativamente. Mantenha-se ativa, otimista e encare-a como uma pequena ajuda à natureza; com uma via endovenosa (“soro”) é possível sentar-se na cama, pôr-se de pé e movimentar-se no quarto.

Em termos médicos fala-se em “trabalho de parto” a partir do início do parto ativo, ou seja, da dilatação do colo uterino para além dos 2-3 cm. É comum aceitarem-se induções durante várias horas ou até dias garantindo o bem-estar materno e fetal. O tempo de indução não é contabilizado para a duração do trabalho de parto.

 

Parto assistido por fórceps ou ventosa

O recurso a fórceps ou ventosa para completar um parto vaginal é em geral aceite com alguma apreensão pelo medo do traumatismo do bebé. Na verdade o fórceps pode ser usado para proteger a cabeça (no caso de um pré termo) e, juntamente com a ventosa, aceleram a descida pelo canal de parto quando o período expulsivo se prolonga por cansaço materno, diminuição da contractilidade uterina ou pela posição da apresentação cefálica.

Para a sua aplicação é necessário a cabeça estar no canal vaginal. São realizadas a anestesia local caso não tenha epidural e episiotomia. É aplicado um fórceps de cada vez que são depois articulados um ao outro e tracionados com suavidade até sair a cabeça, nesse momento são retirados e o resto do corpo nasce sem assistência.

A ventosa é uma pequena taça ligada a uma pega e a um sistema de vácuo que faz a taça aderir à cabeça do bebé. O obstetra pode tracionar e rodar a cabeça do bebé. A aplicação é mais fácil e nem sempre é necessária episiotomia.

Quando a assistência ao parto é o culminar de uma sequência de intervenções discutíveis ou pretende acelerar o período expulsivo sem suspeita de sofrimento fetal é lamentável. Por outro lado, se permite finalizar o período expulsivo por via vaginal ajudando a mãe e o bebé é um dos trunfos da obstetrícia, evitando cesarianas e garantindo a segurança fetal.

Última edição

Gala Notícias de Loures

Gala | Notícias de Loures

Opinião

Eleições

Newsletter