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Os textos que se seguem referem-se ao parto

O Parto (Parte IV)

7 de janeiro de 2017
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Os textos que se seguem referem-se ao parto. Para os novos leitores, foram escritos após o nascimento do meu segundo filho e transmitem informações que quis partilhar enquanto médica e mãe.

Sinais de parto

Os sinais de parto são:

- a regularização e diminuição da frequência das contrações que surgem com intervalos regulares e progressivamente menores;

- a rotura das membranas (“bolsa de água”). As contrações nem sempre se traduzem em dor. No início podem ser um desconforto ou moinha abdominal progredindo a partir do topo do abdómen até à região pélvica ou uma sensação geral de calor ou náusea ocorrendo regularmente.

Estas contrações tendem a aumentar de frequência e de intensidade se a grávida se relaxar. Entreter-se com uma tarefa agradável como arrumar roupinhas, rever a mala da maternidade, organizar fotografias, ou tomar um banho ajuda a passar o tempo e a perceber bem se está de certeza em trabalho de parto. Não se fixe no relógio, cronometrar as contrações cria um estado de alerta e, quando se tornam muito intensas e pouco espaçadas ficará naturalmente inquieta e nessa altura alguém tomará atenção à frequência.

Com a rotura de membranas a bolsa sob tensão rompe com a saída de líquido amniótico. Não sai a totalidade, sai a parte entre a apresentação do bebé e o colo. Com a emissão do líquido amniótico a apresentação baixa tapando o orifício. Após a rotura das membra- nas passa a haver continuidade com a vagina e a possibilidade de agentes infeciosos vaginais migrarem. É devido a este risco que as mulheres são aconselhadas a ir para o hospital de forma a vigiar a ocorrência de febre ou sinais de mal-estar fetal.

Apesar de estar em trabalho de parto este poderá parar e retomar mais tarde, por isso se não sentir vontade de estar acompanhada não é preciso alertar o seu acompanhante, espere pela tal altura referida acima. Se quiser companhia logo no início ninguém levará a mal se for um falso alarme. Deve ir para a maternidade quando as contrações se tor- narem insuportáveis ou com um a frequência de 5/5 minu- tos no 1o filho ou se ocorrer a rotura da “bolsa de águas”.

Se o líquido for amarelo translúcido pode ir por meios próprios; se for sanguinolento ou esverdeado contacte o 112 para acionar um transporte rápido e com assistência especializada.

Fases do parto

O parto divide-se em 3 partes: a dilatação, a expulsão e a dequitadura (saída da placen- ta). O período da dilatação é ainda subdividido em 3 fases, a fase lactente, a fase ativa e a fase transição. A fase lactente é caracteriza- da por contrações, levando ao encurtamento, amolecimen- to e alguma dilatação do colo (mais ou menos até 2cm); esta fase pode passar despercebida à grávida e durar dias. Na fase ativa as contrações apagam o colo do útero (que fica em continuidade com o resto do útero) e abrem o seu orifício.

Quando a dilatação atinge o diâmetro máximo as contrações empurram o bebé através do colo até à vagina iniciando a expulsão. O perío- do expulsivo dura, geralmente, menos de 1 hora. A transição é a fase imedia- tamente antes da dilatação completa. Devido à pressão da apresentação fetal a grávida sente vontade de fazer força mas o colo ainda não dilatou completamente. Não se reco- menda “fazer força” e acon- selha-se a “respiração super- ficial”.

Após a saída do bebé (período expulsivo) é expulsa a placenta (dequitadura) e o útero contrai-se evitando hemorragias. Trata-se de um processo con- tínuo desde que a contractili- dade uterina se torna regular e mais frequente até à forma- ção do globo uterino depois da expulsão da placenta.

Intervenções obstétricas

O uso sistemático, indiscrimi- nado de procedimentos como a indução por conveniência, a monitorização fetal contí- nua, a episiotomia, o jejum, a imposição de limites na dura- ção da 1a e 2a fases estando a mãe e o bebé bem, a rotura intencional das membranas e a administração de oxitocina está desaconselhado pela OMS e não é justificado pela evidên- cia médica no entanto muitos obstetras acreditam ainda que tornam o parto mais seguro e rápido... no entanto concorrem, juntamente com o ambiente desadequado de alguns hos- pitais, para tornarem os partos disfuncionais e então surgem as cesarianas e os partos ins- trumentais evitáveis e as epi- siotomias desnecessárias.

No entanto, são estas mesmas intervenções quando aplicadas na presença de forte indicação obstétrica que permitem iniciar e manter a progressão de partos necessários e aliviar de forma rápida e eficaz o verda- deiro sofrimento fetal. Aborde este tema com o seu obstetra e informe-se das rotinas da maternidade onde vai ter o parto. Não é uma ques- tão frívola, estes procedimen- tos se efetuados sem indica- ção podem prejudicar o normal trabalho de parto e aumentar a probabilidade dum parto assistido.

Parto natural

No “parto natural” as intervenções por obstetra ou parteira são reduzidas ao mínimo necessário para a avaliação da progressão do parto e do bem-estar da mãe e do bebé e o alívio da dor e o aumento da contractilidade são não farmacológicos. A acupunctura, a homeopatia e naturopatia são referidas acerca do parto natural no entanto não são métodos naturais. Estas medicinas complementares, tal como os fármacos convencionais, têm efeitos secundários e adversos e contraindicações. No parto natural, estando a grávida e o feto bem, não se estabelecem limites para cada uma das fases e é normal os partos prolongarem-se durante dias. O parto natural surge associado aos conceitos de parto em casa e aos movimentos humanizadores do parto. É uma visão redutora, um parto natural pode decorrer numa clínica ou hospital com ambiente propício, permitindo um rápido acesso aos cuidados médicos. Ainda associada ao “parto natural” está a ideia de todas as mulheres o poderem ter. Não é verdade, para algumas mulheres são necessárias intervenções farmacológicas para desencadear o parto ou manter a sua progressão; com uma atitude minimamente intervencionista será também um “parto natural”.

Se o seu objetivo for tentar um parto o mais natural possível deixo alguns conselhos:
- Aproveite a gravidez e resolva assuntos dolorosos capazes de ressurgir durante o parto;
- Tente técnicas de relaxamento usando variações da respiração, visualizações, sons (serão detalhadas adiante); aproveite as contrações do fim da gravidez para treinar;
- Discuta as suas intenções de um parto natural com o seu obstetra desde o início e mude de médico assistente se não se sentir apoiada;
- Pergunte na maternidade quais os procedimentos obrigatórios (linha endovenosa, monitorização cardiofetal, entre outras), a hipótese de se movimentar, beber líquidos e ter acompanhante;
- Se as dores se tornarem muito intensas peça para ser observada, pode estar perto da dilatação completa e só essa informação pode chegar para lhe dar ânimo;
- Lembre-se da necessidade de produzir oxitocina e dos fato- res inibidores como insegu- rança, medo, intromissões frequentes, luz forte, garantindo antecipadamente um ambien- te acolhedor e privado.

Rita Manuela Santos Médica

 

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