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Notícias | Saúde

Os textos que se seguem referem-se ao parto

O Parto (Parte II)

1 de outubro de 2016
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Resumo - A segunda parte de um resumo do que é o Parto, na perspetiva da médica Rita Manuela Santos, que foram escritos a seguir ao nascimento do segundo filho.

Continuando os textos sobre o parto apresento os restantes temas referentes à preparação para o parto. Nas próximas edições falarei do parto propriamente dito e dos cuidados após o nascimento.

Maternidades públicas e privadas

O objetivo do parto em meio hospitalar é poder recorrer a recursos especializados numa urgência ou emergência obstétrica e tal só é possível se houver pessoal especializado com muita prática clínica e equipamentos adequados.
Se é vigiada num centro de saúde será referenciada à maternidade da área geográfica no fim da gravidez e caso entre em trabalho de parto antes de ir à consulta hospitalar de obstetrícia é a este hospital que se deve dirigir. Se a vigilância é privada esclareça o assunto com o obstetra assistente caso queira tê-lo presente no parto; há obstetras que apenas realizam partos no hospital público onde trabalham e este pode não admitir grávidas fora de área, outros trabalham em exclusividade ou a tempo parcial em unidades privadas onde realizam os partos.
Se no passado as maternidades privadas não possuíam serviços de neonatologia, hoje em dia várias inserem-se em hospitais bem equipados com unidades de cuidados intensivos neonatais e os riscos para a mãe e o bebé são similares aos das maternidades públicas.
Outro aspeto são as condições hoteleiras, não devem ser desvalorizadas. O ambiente é importante no parto e ambientes com excesso de luminosidade e barulho e sem privacidade favorecem partos disfuncionais, a consequente utilização de fármacos, os partos instrumentais (fórceps, ventosa) e a cesariana.
Em ambos os casos informe-se sobre quais os documentos necessários para a admissão na maternidade e dos procedimentos na entrada, no internamento e na alta, idealmente através de uma visita à maternidade.
Estude o percurso de carro ou de transportes públicos e experimente-o em hora de ponta; estabeleça também percursos alternativos.

Parto em casa

Em Portugal algumas parteiras aceitam realizar partos de baixo risco em casa. Nos países onde os partos domiciliários são comuns existem protocolos entre as parteiras e as maternidades. Durante o parto o hospital está informado e são disponibilizados meios para um transporte rápido e seguro da grávida. Noutros países existem as “clínicas de parto” anexas ou na proximidade das estruturas hospitalares.
Por cá, os partos em casa levantam inúmeras questões de segurança, principalmente pelo transporte da grávida em caso de necessidade, e são encarados como um retrocesso. Contudo também não é aceitável o quarto tipo enfermaria (para enfermos, não grávidas), com o equipamento exposto (lembrando a hipótese de algo correr mal), e a grávida confinada a uma cama como se estivesse doente. Este cenário é propício a partos prolongados e complicados e por isso menos seguros para a mãe e para o bebé.
Os quartos hospitalares devem ser acolhedores, com o equipamento médico oculto, iluminação suave, temperatura amena e mobiliário adaptado.

Mala da Maternidade

Conte com uma estadia de 2 a 3 dias e com a hipótese de ser maior. Leve as mudas necessárias e deixe em casa mudas extra para si e para o bebé arrumadas em sacos individuais (de pano cru, de congelação com fecho, outros) e bem sinalizadas.
A sistematização em “mala da mãe” e “mala do bebé” é orientadora, pode levar uma mala grande organizada em duas áreas, a da mãe e a do bebé.
Sugestão para a “Mala da Mãe”:
– camisas de dormir de algodão fino abertas à frente (3) e roupão leve de algodão (1);
– cuecas descartáveis (6) e soutien de amamentação (2);
– chinelos de quarto (1) e chinelos tipo “Havaianas” para o duche (1);
– revistas/livro e garrafa de água;
– discos protetores para mamas/conchas de aleitamento;
– produtos de higiene (gel de banho e champô, desodorizante, creme de rosto e olhos, creme corporal, escova e/ou pente, elásticos/ganchos/ fitas, escova de dentes e pasta, toalhetes).
Para além da mala levei a “Bolsa de Maternidade”, uma pequena bolsa de cosméticos com alguns artigos de conforto para as horas de dilatação, uma bolsa discreta para não levantar objeções com:
– produtos de higiene em miniaturas (spray de água mineral, toalhetes, elixir oral, hidratante labial, óleo de massagem e spray de aromoterapia);
– meias confortáveis, elásticos/ganchos;
– pequena revista ou livro;
Sugestão para a “Mala do bebé”:
– 4 mudas completas em sacos individuais (body, babygrow ou cueiro e camisinha, botinhas, casaquinho e outras peças (gorro, luvas) e envolta (1);
– fraldas de pano (4) e fraldas descartáveis (mínimo 8/dia, 2-3 dias);
– toalha de banho e muda-fraldas desdobrável e impermeável;
– chupeta (é discutível… aconselho a adiar a sua utilização até o recém-nascido mamar sem dificuldade);
– produtos de higiene (leite ou água de limpeza, creme hidratante corporal, creme barreira para a zona da fralda, gel de banho, tesoura de unhas); no hospital cedem compressas e soro para a higiene ocular e álcool para o umbigo.

Uma amiga sugeriu-me a “Mala do Pai”: telemóvel com mensagem de nascimento pré-definida, lista de contactos, muda de roupa, caneta e bloco para tomar notas.

Papelada e obrigações civis

Deixe feito no computador ou imprima com espaços em branco a minuta da licença de maternidade para entregar na Segurança Social ou no subsistema de saúde.
Informe-se no seu centro de saúde ou na maternidade privada sobre os horários da vacinação e do rastreio das doenças metabólicas (teste do pezinho).
Informe-se dos horários e documentos necessários ao registo do bebé na Conservatória do Registo Civil; algumas maternidades disponibilizam este serviço nas suas instalações.

Acompanhante e doula

Escolha para acompanhante alguém que lhe inspire confiança, a acalme, seja capaz de antecipar as suas necessidades e comunique bem com outras pessoas. Lembre-se que nem sempre o outro progenitor é a melhor escolha, pelo seu envolvimento emocional na situação pode não se aperceber das necessidades da grávida.
Os hospitais públicos permitem, quando é possível acomodar, um acompanhante que lamentavelmente não pode estar presente durante os preparativos da grávida nem durante as observações médicas e de enfermagem. Nem sempre é permitido trocar de acompanhante durante o trabalho de parto mesmo quando se prolonga por mais de um dia.
Nos hospitais privados espera-se maior liberdade no número e movimentação dos acompanhantes mas na maioria é igualmente impedido o acesso ao bloco operatório em caso de cesariana ou parto instrumental.
Doulas são acompanhantes de parto com formação especializada cuja função é ajudar a grávida neste momento. A sua intervenção inicia-se com alguns encontros durante a gravidez e continua no pós-parto com visitas ao domicílio. A doula deve ser uma presença securizante para a grávida e uma colaboradora para o obstetra ou parteira. É um serviço pago, não dedutível como despesa de saúde e existem em Portugal associações de doulas e doulas independentes.

Rita Manuela Santos

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