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Notícias | Política

Pedro Filipe Soares, líder da bancada parlamentar do BE

"Problema dos transportes públicos em Loures tem de ser resolvido a nível central"

7 de maio de 2016
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O problema dos transportes público em Loures, nomeadamente a falta de carreiras, o preço elevado dos bilhetes e passes e a ausência de soluções intermodais a preços acessíveis já ultrapassaram há muito as fronteiras do Concelho. «Julgamos que esse problema que afeta o concelho de Loures tem de ser resolvido a nível do Governo central», disse ao NL, Pedro Filipe Soares, líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), por ocasião da inauguração da nova sede concelhia do partido, em Santo António dos Cavaleiros.

«Sendo o Bloco um elemento de pressão para que se façam políticas à esquerda, tem aqui um papel fundamental e que tentaremos levar a bom porto», prometeu o deputado. Quando confrontado sobre outros problemas do Concelho que dependem do Executivo, como a retirada do Centro de Emprego de Sacavém, a falta de médicos nos centros de saúde ou a privatização da Valorsul, Pedro Filipe Soares sustentou que «existem grupos de trabalho que tocam nessas questões, como o da Segurança Social, o da Energia ou o da Precariedade», sublinhando ainda a intenção do partido de «encontrar entendimentos para dar passos em defesa das pessoas».

No entanto, o líder bloquista defende uma premissa para a realização de investimentos essenciais. «Para haver investimento público, vamos ter de fazer uma batalha a nível europeu, que nos garanta a possibilidade de reestruturar a dívida e de garantir que o País fica liberto dos condicionalismos que hoje enfrenta», realça.

Mas, apesar de todos os problemas que Loures enfrenta, o responsável destaca a mudança ocorrida na autarquia. «Houve uma mudança política nas últimas eleições autárquicas, mudança essa que cria esperança junto das pessoas», afirma. No entanto, Pedro Filipe Soares destaca alguns aspetos menos positivos: «Quando falamos em bens essenciais como a água e vemos que uma Câmara, que se esperava que tivesse uma política diferente, continua a ter políticas de restrições de acesso a bens essenciais, vimos que isso é difícil de aceitar e é um dos motivos pelos quais temos de lutar mais. Quando uma Câmara continua a estar refém de dívidas antigas acumuladas, isso são dificuldades que têm de se ultrapassar e, nesse aspeto, o Bloco, através dos seus eleitos locais, tem feito um trabalho extraordinário, com presença na Assembleia Municipal. Isso mostra como é importante para qualquer executivo ter uma boa oposição. Sendo uma boa oposição, o Bloco pode melhorar a política levada a cabo no concelho de Loures e mostrar que mais força tivesse, mais conseguia ainda melhorar as respostas que o executivo camarário e as juntas de freguesia dão junto das pessoas».

O lado negro da herança da Expo’98

Vítor Edmundo, responsável da concelhia de Loures do BE, sustenta, por sua vez, que «Loures é um concelho com muitos problemas, alguns deles de muitos e muitos anos». Para o responsável, «o impacto que a Expo’98 teve ao nível da Grande Lisboa, fez-se refletir negativamente no concelho de Loures, sobretudo porque parte do Concelho foi ocupado e transformado para dar resposta àquele grande acontecimento e isso produziu um impacto muito forte em duas situações importantes, sendo uma delas a “guetização” do Concelho».

Os resultados, para Vítor Edmundo, foram desastrosos: «Foram construídos bairros sociais sem qualquer ordenamento territorial, onde juntaram as pessoas sem qualquer cuidado». No entanto, o responsável destaca a construção de novas dinâmicas que estão a atenuar os efeitos nefastos conhecidos. «A outra questão prende-se com a saúde e os transportes, uma vez que Loures continua muito deficitário na questão dos equipamentos de saúde, pois não há médicos de família que deem resposta à população e muitos dos locais onde se prestam cuidados de saúde não têm condições de funcionamento», defende.

Isso sem esquecer a inevitável questão dos transportes. «Loures é o concelho mais desordenado e desorganizado em termos de transportes», acusa. «Vale aqui tudo e as operadoras de transportes dominam o Concelho e são donas e senhoras da organização que lhes dê mais benefícios», acrescenta.

Vítor Edmundo revela ainda que, «do levantamento que fizemos há poucos meses, verificámos que Loures é o concelho da zona metropolitana de Lisboa onde os transportes são mais caros e que menos servem as pessoas». Em Loures, diz ainda Vítor Edmundo, «salvo raríssimas exceções, a partir das 21h30 não há mobilidade interna a nível dos transportes públicos».

Nova sede em Santo António dos Cavaleiros

A concelhia do Bloco de Esquerda de Loures inaugurou uma nova sede no Concelho, após vários anos a partilhar instalações com Odivelas. A festa de inauguração contou com a presença de Pedro Filipe Soares, líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, de vários elementos da direção da concelhia e de muitos curiosos. Entre os convidados, marcou presença também a presidente da Junta de Freguesia de Santo António dos Cavaleiros, Glória Trindade.

Na ocasião, Pedro Filipe Soares disse ao NL ter a «noção clara de que as eleições e particularmente o novo momento político, com a maioria constituída no Parlamento e com o novo Governo, têm dado uma margem de manobra diferente do ponto de vista político e isso é reconhecido junto das pessoas». Defendendo que o partido começa a ter maior proximidade e influência, fruto do apoio popular, Pedro Filipe Soares enaltece o trabalho das concelhias, sobretudo as do distrito de Lisboa. «Quando já há trabalho feito, uma mudança política ajuda a cimentar esse trabalho e a ganhar um impacto maior na vida das pessoas», sublinhou.

André Julião

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