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Gestão do Município

CDU sozinha

14 de novembro de 2017
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O NL foi falar com os três cabeças-de-lista, com participação no Executivo Municipal, para tentar perceber os motivos que levaram a CDU a ficar com todos os pelouros municipais.

Bernardino Soares

Não chegou a acordo por opção do PS ou por indisponibilidade da CDU?

Nós teríamos disponibilidade para isso, não houve disponibilidade do outro lado. Tem de ser entendido como uma opção legítima e portanto ficou assim.

Em conversa com o candidato André Ventura, este disse que ia fazer uma oposição responsável mas que não tinha receio se tivesse de ir a eleições daqui a um ou dois anos. Anunciou que iria ser coerente com as suas ideias, mas que o seu objetivo não era destruir.

O tempo o dirá.

Acredita, ou não?

O tempo o dirá. A prova do tempo é que vai comprovar uma situação ou outra.

Naturalmente, sente-se apto para governar sem acordo, no entanto há algumas dificuldades extras que podem surgir, principalmente na Assembleia Municipal?

Estamos muito capazes para governar com todos os pelouros da Câmara. Temos uma experiência acumulada e ideias muito claras sobre o que é preciso fazer. Há dificuldades logísticas, mas não haverá nenhuma dificuldade nem nas ideias, nem na determinação. As dificuldades logísticas compõem-se com a arrumação da estrutura e com a adequação dos meios para desenvolver esse trabalho. Quanto à Assembleia Municipal, nós já tínhamos uma situação em que não havia maioria da CDU, houve algumas situações em que foi necessário negociar com outras bancadas, determinadas matérias, não só com a do PSD e é isso que continuaremos a fazer.

Já mostrou que é uma pessoa que consegue negociar e nestes quatro anos demonstrou isso várias vezes. Sente que vai voltar a acontecer ao longo destes quatro anos?

Estamos totalmente preparados para isso. Não teremos nenhum problema. Naturalmente que para haver negociações depende da vontade de todas as partes, não basta a nossa vontade, mas estamos em condições de conduzir os destinos da Câmara com toda a capacidade e determinação. Nos pontos onde seja preciso negociar, negociaremos e esperamos que das outras bancadas haja posições razoáveis. Sabemos que não vamos conseguir em todos os pontos ter a nossa posição. É preciso chegar a entendimento com as outras bancadas, mas também esperamos que do outro lado não haja inflexibilidade e é essa a confiança e convicção com que entramos para este mandato.

 

Sónia Paixão

Bernardino Soares assumiu que foi solicitado ao PS haver um acordo e que os socialistas o inviabilizaram. É um facto?

Nem por isso. Há várias tipologias de acordo. O que o PS disse, em consonância com aquilo que tinha dito durante a campanha, é que quem ganha, governa e que o Partido Socialista criaria todas as condições de governabilidade ao partido que tivesse maior número de votos e é isso que fará. O facto de não ter assumido pelouros, não significa que não estará ao lado do atual executivo sempre que estejam salvaguardados os interesses das populações das freguesias do nosso Concelho. Portanto, é isso que nós faremos! Uma oposição construtiva, com grande responsabilidade, com grande proximidade, como sempre fizemos no passado. Portanto, o Presidente tem todas as condições para levar a bom porto a Câmara Municipal de Loures. Não é o PS que irá criar algum impedimento.

Pensa que esta foi a melhor opção?

Certamente a melhor opção. Sem dúvida.

De qualquer forma, a CDU está numa posição condicionada porque precisa do apoio de um Partido, seja do PSD, seja do PS. Tal como o PSD já disse e, agora o PS está a dizer, tudo depende das propostas?

Exatamente, depende das opções que nos forem apresentadas.

Ou seja, muitas negociações se preveem nestes próximos quatro anos?

Muito diálogo, como é apanágio do Partido Socialista. Se nós conseguimos governar assim o País, porque não conseguiremos ajudar a governar a Câmara Municipal de Loures.

 

André Ventura

A CDU chegou a falar com o PSD para propor algum tipo de acordo para a Câmara ou inviabilizou desde início?

Sempre estabelecemos desde início que nenhum de nós estava em condições de estabelecer um acordo de coligação. Nós pela campanha eleitoral que tivemos, porque não queríamos ser a muleta da CDU. A CDU entendeu e transmitiu essa ideia. Aliás, estou convencido que foi mais pela CDU nacional do que pela CDU local, que as posições que nós assumimos na campanha eleitoral tornavam inviável um acordo. Por isso, acho que o PSD deu um sinal de grande dignidade ao manter o que disse, independentemente das pressões sofridas, para garantir que nós lutamos por ideias e não por lugares, por valores e não por posições na Câmara Municipal. Vamos continuar a fazer oposição até assumirmos a Presidência da Câmara.

Que tipo de oposição vai estabelecer daqui para a frente?

Uma oposição sempre construtiva, levar as nossas ideias a serem discutidas e aprovadas e as boas ideias e propostas da CDU a serem, da nossa parte, viabilizadas. Somos completamente pela governabilidade da Câmara, mas não damos cheques em branco a ninguém. Se entendermos que este executivo já não tem condições para continuar em funções, faremos chegar essa mesma proposta e será decidida.

É uma questão de entendimento?

É uma questão de entendimento mas também uma questão politica, de concertação politica. Entendemos que o cenário eleitoral pós 1 de outubro é um cenário eleitoral completamente diferente do que existia antes. Quem está à frente da Câmara tem de perceber esse novo cenário, em que o PSD foi o único partido que reforçou a votação de forma expressiva e os eleitores têm de sentir que este executivo dá vazão a este mesmo reforço. Se sentirem que o reforço da posição do PSD foi uma posição em vão, então têm de haver eleições em breve para os eleitores dizerem que querem o PSD a governar. Eu quero deixar isto muito claro: Eu não tenho medo de ir a eleições novamente. Eu, se for preciso, daqui a um ano vou a eleições, ou daqui a dois anos vou outra vez, porque a votação do PSD não pode ser ignorada.

O mandato é para cumprir até ao fim?

É para manter até ao fim.

 

Pedro Santos Pereira

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