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Notícias | Política

Em Frielas

Assembleia Municipal assinala 43 anos do 25 de Abril

9 de maio de 2017
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Cravos, muitos cravos e uma sala repleta de gente, da mais ilustre ao cidadão anónimo, foram o palco da Assembleia Municipal que assinalou os 43 anos do 25 de Abril. O Centro Comunitário de Frielas foi vestido a rigor e o ambiente festivo só foi interrompido por uma ou outra provocação política emanadas dos discursos mais efusivos.
As honras da abertura das intervenções couberam a João Alexandre, do PCTP-MRPP, que colocou em causa a própria celebração do feriado. «A questão que se coloca é sobre a vantagem de celebrar esta data», disparou. «Para muitas classes continua a não haver motivos para festejar, até porque hoje é claro que os partidos que nos têm governado agem de forma idêntica», adiantou o representante do MRPP.
Lizette do Carmo, do CDS/PP, foi a interveniente seguinte e aludiu ao facto de, há 43 anos se ter imposto «um corte radical com um passado que não correspondia aos anseios dos portugueses». A representante do CDS defendeu ainda que «não há valor mais nobre do que a liberdade, mas é necessário saber o que fazer com ela». Lizette do Carmo alertou ainda que «todos os valores de Abril estão hoje em risco por causa de um projeto de construção europeia que mais parece um clube de negócios».
Largamente aplaudida pela plateia e colegas, até de outras forças políticas, Lizette do Carmo deu a vez a Maria Adelaide, do BE, que sustentou que a «nossa democracia encolhe-se sobre a pressão de uma União Europeia nascida nas elites, impondo-se, tratado após tratado, ignorando os povos e colonizando os países». Maria Adelaide continuou, enfatizando que a mesma democracia «encolhe-se, quando somos sufocados por uma dívida impagável, para salvar aqueles que sem vergonha nos disseram, ‘ai aguenta, aguenta…’» e que «vemos que Portugal é um dos países em que mais aumentou o risco de pobreza em contraponto com o aumento das grandes fortunas».
Intervalada com momentos de poesia de vários grupos culturais do concelho de Loures, a Assembleia Municipal continuou, num tom morno e conciliador, manhã adentro.
No final, em declarações ao NL, Fernanda Cardoso Santos, presidente da Assembleia Municipal de Loures, sublinhou o que falta ainda cumprir de Abril. «Faltam cumprir várias aspirações de Abril, falta sobretudo não desvirtuar algumas das conquistas que Abril trouxe, nomeadamente os direitos laborais e o direito à proteção social, que têm sido postos em causa do longo destes anos pelos sucessivos governos que têm entendimentos diferentes sobre estas conquistas», referiu.
A autarca destacou ainda que «nunca devemos deixar de assinalar esta data e de nos lembrar que uma das maiores conquistas que tivemos foi o direito à proteção social e a ter um trabalho com direitos e que nos permita mais tarde ter uma velhice descansada». Apontando agulhas para o poder local, Fernanda Cardoso Santos realçou o papel do poder local democrático, que, «através da sua ação junto das populações, através da proximidade e da resolução de problemas tem sido uma das formas de garantirmos que aquilo que Abril nos trouxe seja cumprido». No entanto, a responsável enfatizou que «o que falta ainda em relação ao poder local democrático é uma maior autonomia e que o poder central pare de interferir e dê o financiamento necessário para que este se cumpra de forma ainda mais efetiva».
Quando confrontada com os crescentes níveis de abstenção e com o afastamento dos cidadãos da vida política, a presidente da Assembleia Municipal admitiu que «existe um afastamento das pessoas da política, mas penso que esse afastamento tem uma quota parte de culpa de quem exerce o poder político, ou porque não se aproxima das populações, ou porque, através da sua ação faz com que as pessoas se afastem».
A autarca admitiu ainda sentir que «há um enorme desencanto das pessoas quando as forças políticas não cumprem aquilo com que se comprometem, porque quando isso acontece existe uma maior proximidade e uma maior participação por parte das populações».

André Julião

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