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Notícias | Educação

Vigília de protesto

Violência assola escola de Camarate

3 de dezembro de 2018
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Cansados da violência, pais e encarregados de educação da EB 2,3 Mário de Sá Carneiro organizam vigília de protesto. Funcionário foi agredido e teve de ser hospitalizado. Agentes do programa Escola Segura sem viatura há mais de quatro anos.

Dezenas de pais e encarregados de educação da escola EB 2,3 Mário de Sá Carneiro, em Camarate, juntaram-se no passado dia 19 de novembro, numa vigília à porta daquela escola para protestar e alertar para as recentes e recorrentes cenas de violência que têm tido lugar naquele estabelecimento de ensino. No último confronto entre alunos, há cerca de três semanas, um funcionário da escola ficou ferido e teve de receber tratamento hospitalar. “Não houve mortos porque a PSP chegou a tempo e fechou os portões”, contou ao Correio da Manhã, Aida Gomes, mãe de dois estudantes daquela escola.

“Ou há mais polícia junto à escola ou não deixamos os nossos filhos entrar”, contou àquele jornal, Aida Gomes, frisando que é frequente haver “armas brancas na escola” e que, uma vez, um funcionário “ia sendo esfaqueado”.

Uma das principais causas da insegurança na EB 2,3 Mário de Sá Carneiro é a falta de meios da PSP de Camarate. Faltam efetivos, veículos, equipamento e há poucas perspetivas de virem a ser fornecidos a breve trecho.

“É inaceitável que a Escola Segura em Camarate tenha apenas dois elementos para 14 escolas, e mais inaceitável ainda que os agentes tenham de se deslocar a pé ou de transportes públicos porque a esquadra não tem um veículo para a ronda há mais de quatro anos”, disse ao NL, Fabian Figueiredo, dirigente nacional e candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Loures nas últimas autárquicas, que marcou presença na vigília. 

Assunto marca debate na Assembleia Municipal

O assunto foi também debatido na Assembleia Municipal de Loures de 22 de novembro, onde todos os partidos concordaram que a situação é insustentável e tem de ser resolvida o quanto antes. Na reunião, o presidente da Associação de Pais do Agrupamento D. Nuno Álvares Pereira, Ricardo Oliveira, relatou, durante o período de intervenção do público, a situação que se vive na EB 2,3 Mário de Sá Carneiro.

Por sua vez, Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures anunciou a contratação urgente de quatro novos auxiliares de ação educativa para a EB 2,3 Mário de Sá Carneiro. Já o presidente da Junta de Freguesia de Camarate, Unhos e Apelação, Renato Alves, cedeu uma viatura à esquadra de Camarate, que foi utilizada pelos agentes do programa Escola Segura durante a semana seguinte, o que permitiu uma maior permanência dos agentes junto à escola.

Entretanto, a autarquia enviou um ofício ao Comando Metropolitano da PSP de Lisboa a solicitar o reforço de meios preventivos e reativos em Camarate.

Uma escola com historial problemático

Refira-se que a EB 2,3 Mário de Sá Carneiro dispõe de um sistema de videovigilância que, no entanto, não funciona e que aquele estabelecimento escolar está inserido no Programa TEIP - Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Trata-se de uma iniciativa governamental, implementada em 137 agrupamentos de escolas que se localizam em territórios económica e socialmente desfavorecidos, marcados pela pobreza e exclusão social, onde a violência, a indisciplina, o abandono e o insucesso escolar mais se manifestam. São objetivos centrais deste programa a prevenção e redução do abandono escolar precoce e do absentismo, a redução da indisciplina e a promoção do sucesso educativo de todos os alunos.

A discussão entre alunos que levou a família de um dos menores a entrar armada na escola, e até a agredir um funcionário foi apenas um dos oito incidentes ali registados desde o início do ano letivo, a que se juntam 72 situações de violência e desinteresse escolar no ano letivo passado, segundo dados a que o Correio da Manhã teve acesso. Os dados são de um estudo recente e surgem na sequência da onda de violência que assolou a escola nas últimas semanas e levou os pais e encarregados de educação a protestarem.

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