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Notícias | Educação

Escola Secundária Arco-Íris da Portela

«O aprender sem obrigação de aprender, motiva»

9 de março de 2017
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O entusiasmo e o brilho nos olhos do professor, enquanto fala deste projeto, é prova de que este cumpre a sua função na plenitude. Tudo começou em 2009 com um convite da Faculdade de Ciências para um projeto sobre Robots e Agentes Inteligentes: «Na altura a Diretora da Escola, a Dra. Manuela Dias (atual presidente da Junta) mostrou-me o e-mail e disse-me “vai”.

Penso que ela deve ter tido ali um pressentimento de que isto seria algo de bom. Fui e, quando começaram a falar em robots e a mostrá-los, percebi que seria interessante e motivante para os alunos. No regresso disse à Dra. Manuela Dias: «isto é muito giro, é muito útil para os miúdos, mas custa dinheiro».

Depois de conversarem sobre os custos, a importância e as mais-valias deste projeto para os alunos e para a escola decidiu-se avançar. «Na altura as disciplinas que eu lecionava, na informática, eram mais do mesmo – word e excel – e eu já andava à procura de alguma coisa onde pudesse fazer algo diferente» e foi aqui que Paulo Torcato encontrou o desafio que procurava.

Destinatários

Ao início o projeto destinava-se apenas aos alunos do 12º ano, na disciplina de Área de Projeto, «mas tem sido um projeto adaptativo. Os mais pequenos (7º, 8º e 9º anos) começaram a interessar-se e, quando nos apercebemos desta situação, resolvemos apostar neles também. Entretanto submeti um projeto a Conselho Pedagógico e O Robot Ajuda passou a ser em sala de aula.

Portanto, todos os alunos da turma passaram a ter Robótica que envolve matemática, física e outras disciplinas e é uma estratégia de aprendizagem, uma metodologia inovadora na medida em que eles vão aprendendo enquanto brincam. E trabalhamos sempre com Project Based Learnings, ou seja, a nossa aprendizagem é baseada em projetos que resolvam problemas do dia-a-dia. E houve sempre projetos classificados entre os 100 melhores nacionais.

Isto enquanto a Área de Projeto durou, mas esta vertente acabou e tive que repensar tudo. Foi quando percebi que estava a desenvolver uma boa ideia. Entretanto surgiu o Curso Vocacional (porque pelo meio houve o período de um ano em que funcionou apenas como clube – 2012/2013, ou seja, atividade extracurricular). Pensei que isto seria capaz de ser bom para estimular aqueles alunos que não se integram bem no ensino regular normal.

Então fizemos um projeto para um curso vocacional da escola, que funcionou durante três anos letivos, no qual usávamos projetos de robótica como base de aprendizagens completas dos alunos. Quando o vocacional acabou introduziu-se no Percurso Curricular Alternativo. Paralelamente a estes funciona ainda o Clube e também o 1º ciclo.»

Métodos

Como o projeto funciona de forma interdisciplinar os alunos acabam por criar interesse em todas as disciplinas, uma vez que se trabalha o mesmo tema nas diferentes cadeiras. Paulo Torcato explica: “a lógica do projeto O Robot Ajuda é: introduzir os alunos à Robótica, mas como estratégia de aprendizagem e usar os projetos com base na Robótica para os miúdos aprenderem.

Por exemplo, no ano passado realizámos o projeto o Robot Guia, que envolveu as disciplinas de português, inglês, artes, matemática, físico-química e robótica. Este projeto foi desenvolvido por alunos com duas, três e quatro retenções que voltaram a ter interesse pela vida escolar. Portanto, a mais-valia do projeto, para mim, é essa.»

A título de exemplo, o professor conta que «no ano passado, na turma do 3ºA do 1º ciclo, havia dois alunos com paralisia cerebral e, pelos alunos dos ciclos mais avançados, foi montado e programado um braço de robótica para esses dois brincarem». O que torna este projeto único e pedagógico é «esta ligação e articulação entre ciclos que acaba por ser importante, porque motiva a aprendizagem que se faz num ciclo dado que os alunos sabem que vão aplicar os conhecimentos mais à frente. O aprender sem obrigação de aprender, mas com responsabilidade, motiva».

Reconhecimento da Microsoft

Tal como no futebol existem os “olheiros” que procuram os craques da bola, também nesta área existem estes observadores. Em 2016 Paulo Torcato recebeu «um e-mail da Diretora da Microsoft Educação, no qual lhe comunicavam que estava nomeado para o título de Microsoft Inovative Educator Expert. Não me candidatei a nada, fui apenas informado da nomeação, portanto alguém observou o meu trabalho».

Este galardão distingue aqueles professores que a empresa considera os mais inovadores do mundo inteiro. É o próprio que conta: «quando em Agosto saíram as listas o meu nome estava lá, o que para mim significa, além do reconhecimento, que estou a fazer um bom trabalho». Existem apenas cinco mil professores com este título no mundo inteiro. Um deles é Paulo Torcato, o “pai” do Projeto “O Robot Ajuda” que funciona na Escola Secundária da Portela.

O próximo desafio

Realiza-se no dia 13 de Maio, no Técnico Tagus Parque, uma competição na qual «há prova de pista que tem associada uma outra de engenharia robótica. Os alunos têm que construir e programar um Robot que resolva os desafios apresentados na pista maior. Será avaliado o modo como construíram e programaram o Robot e a eficiência do mesmo.

A prova de pista tem pontuação, ou seja, quanto maior o número de desafios cumpridos mais pontos se acumulam. Há ainda uma prova que avalia o espírito de equipa e o relacionamento em grupo, se se respeitam, se todos têm voz, no fundo se o objetivo deles não foi competir, mas sim aprender.

O resultado da competição é mais o avalizar das suas aprendizagens. Há ainda uma prova de projeto científico». No ano passado os alunos da Escola Secundária da Portela não participaram, porque o professor estava com uma pneumonia, «mas nos dois anos anteriores tínhamos sido campeões nacionais em projeto científico», afirma com orgulho dos seus alunos.

Leonor Noronha

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