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Notícias | Educação

Formação em Loures

Futuros inspetores da PJ são formados em Loures

3 de setembro de 2016
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A entrada é discreta, tem uma cancela e um segurança, mas nada faz prever que é ali que, anualmente, são formados os profissionais que combatem os crimes mais gravosos e sofisticados que acontecem no País. Estamos à beirinha de Loures, numa quinta do Barro, onde os habitantes locais já se habituaram a partilhar as ruas com dezenas de futuros inspetores da Polícia Judiciária. "O CSI português", brincam alguns, entredentes. Talvez muitos não saibam, mas há mais de 30 anos que a Escola de Polícia Judiciária ali transmite conhecimento, de geração para geração.

Inserida num cenário pleno de tranquilidade, outrora propriedade da família Sttau Monteiro, a academia dispõe de todos os equipamentos para formar e treinar os futuros inspectores da Judiciária. O clima respira um certo secretismo, há uma aura de mistério que os próprios gostam de manter. Faz parte da magia, dirão os mais apaixonados.

Até a identidade da nossa anfitriã deve manter-se secreta, por uma questão de discrição. Já os objectivos, esses, mantêm-se bem delineados. «A Escola de Polícia Judiciária existe para facultar formação aos funcionários desta polícia, nomeadamente ao pessoal de investigação e ao pessoal de apoio à investigação criminal», explica-nos uma das formadoras da instituição. «Aqui, é ministrada formação inicial, formação contínua ou especializada e formação para promoção, para além de formação pedagógica de formadores», acrescenta.

Entre as «armas» disponibilizadas para combater o crime «a sério», incluindo terrorismo, cibercrime, crime organizado e outras ameaças nada simpáticas, a Escola dispõe de um estúdio de gravação, «onde se fazem simulações de entrevistas de interrogatório, uma vez que uma das técnicas utilizadas é a autoscopia», conta-nos a nossa interlocutora.

A máxima neste espaço é praticar, praticar e depois… praticar. Para isso, muitas das sessões são gravadas, para serem mais tarde visionadas e permitirem corrigir o que, daquela vez, terá corrido menos bem. «A partir daí, é possível melhorar as competências de cada formando, o que os vai ajudar a enfrentar a realidade enquanto futuros polícias ou futuros funcionários de polícia», sustenta a responsável.

É nestas salas que são ensaiadas as técnicas de interrogatório, abordagens de detenção e demais estratégias essenciais ao desempenho da função de polícia ou inspetor.

Armas só em último recurso

«O que pretendemos que os nossos futuros inspetores sejam capazes de fazer é nunca utilizar uma arma sem ser estritamente necessário», defende a nossa anfitriã. «O mais importante é, em primeiro lugar, fazer a avaliação da situação e depois agir de acordo com essa situação, sendo que, para isso, é essencial dominar as técnicas de abordagem e detenção», explica-nos.

Embora a filosofia passe mais por «não utilizar uma arma ou utilizá-la em segurança», pelo sim, pelo não, a Escola dispõe de duas carreiras de tiro para os alunos praticarem. As matérias teóricas ministradas são diversas e passam por metodologias de investigação criminal, direito, sociologia, psicologia e comunicação. «Queremos que os nossos polícias saiam daqui a comportar-se adequadamente e saibam ajustar a linguagem que utilizam a cada uma das situações que enfrentam», explica-nos.

Os temas são tão vastos como o tom de voz, a postura, o tipo de linguagem a utilizar e a abordagem. Têm ainda o direito penal e direito processual penal, ética e deontologia profissional, direitos humanos, língua inglesa de polícia, defesa pessoal, comparência em tribunal e armamento e tiro.

A terceira fase do Curso é essencialmente prática. Os inspetores têm depois de fazer um estágio de um ano, de carácter eliminatório. Há avaliações periódicas a nível comportamental, da capacidade de resistência e da resiliência. Mas, para ajudar os formandos, existe uma remuneração equivalente ao ordenado mínimo, que recebem durante os cerca de 12 meses que passam na Escola. E, apesar de todas as dificuldades, os candidatos são cada vez mais.

No último concurso, «para 120 vagas que abriram na PJ, concorreram entre três e quatro mil pessoas», revela-nos a professora. «Fazemos parte de um colégio europeu de polícia, denominado CEPOL, fundado em 2002 e de que fazem parte os países da União Europeia com as respectivas escolas de polícia, existindo formação a nível europeu, que prima pela partilha e pela pesquisa científica», ficamos depois a saber.

De braços abertos para o Concelho

Em 2015, a Escola de Polícia Judiciária teve 4545 alunos e 199 ações de formação. Desses 4545, 2169 foram alunos dos PALOP e da cooperação nacional e internacional. Os restantes 2376 são alunos da Polícia Judiciária. «Os nossos alunos vêm de todo o País, por isso, nalguns casos, os docentes deslocam-se fora da Escola para dar formação», conta.

Localizada no Barro desde 1980, a Escola tem hoje cerca de 50 funcionários, muito menos do que há poucos anos atrás, «quando os tempos eram outros». O espaço «pertencia à família de Armindo Monteiro, que era o pai de Luís de Sttau Monteiro», ouvimos.

A logística foi sendo melhorada, foram criados novos espaços e instalou-se ali a Escola de Polícia Judiciária. Além de salas de aula e das carreiras de tiro, a Escola tem um palacete, uma capela, um ginásio, uma biblioteca, um museu e muitas outras estruturas.

«A ligação da Escola com o concelho começou por ser uma questão de oportunidade, já que é suficientemente perto e suficientemente longe de Lisboa, numa zona sossegada, tranquila e pacífica», desvenda a nossa interlocutora. «Tem havido uma boa colaboração com a Câmara Municipal e com os Bombeiros Voluntários de Loures», adianta. «Estamos de braços abertos para o Município», conclui.

André Julião

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