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Ciência - Educação

Cientistas de palmo e meio

4 de agosto de 2016
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Quando o tema é a Ciência facilmente se imagina alguém de bata branca e cabelo desgrenhado, tubos de ensaio, misturas químicas, microscópios e algumas "explosões". Na União de Freguesias de Santa Iria de Azóia, São João da Talha e Bobadela os laboratórios dos Agrupamentos abrem portas a uma nova geração de "cientistas", de cabelos alinhados e roupa desportiva, alunos de 2º e 3º ciclo, "sedentos" de conhecimento. Em boa verdade, são apenas jovens adolescentes, que tiveram a oportunidade de mostrar o seu empenho como aspirantes a cientistas na I Feira da Ciência local, que teve lugar no Castelo de Pirescoxe, no passado dia 13 de Maio. Incentivar os mais jovens para a importância da investigação científica é apenas um dos objetivos alcançados pela iniciativa.

A organização

Apesar da instabilidade das condições climatéricas, foram muitos os alunos, e não só, que quiseram ver de perto experiências científicas e a exposição de trabalhos elaborados por estudantes dos Agrupamentos. Uma feira diferente que surge no âmbito do protocolo assinado, em 2015, entre a Junta de Freguesia local, os Agrupamentos de Escolas da área geográfica, o Instituto Superior Técnico e a empresa ScienceYou, que visa o desenvolvimento do conhecimento científico e promove o contacto prático e próximo com as ciências. "A partir deste protocolo é criado o projeto Ciência 3, que tem permitido incentivar os alunos para a importância desta área, assim como lhes tem dado a oportunidade de trabalhar com materiais, equipamentos e tecnologia que de outra forma não seria possível. Uma vez por semana, deslocam-se às escolas monitores do Instituto Superior Técnico, alunos bolseiros do núcleo de apoio ao estudante, para a realização de sessões de Química, Física (Robótica e Termodinâmica) e Biologia.

O funcionamento

Na Bobadela, são cerca de 15 os alunos, do 2º e 3º ciclo, que se inscreveram no projeto. "Estas sessões de ciência decorrem fora do horário letivo, os alunos que fazem parte do projecto prescindem de uma tarde livre para estarem aqui", explica Natércia Dias, professora e coordenadora da disciplina de Ciências, no Agrupamento de Escolas da Bobadela. Fomos assistir a uma sessão de Robótica e pudemos testemunhar o interesse e empenho dos jovens aspirantes a "Einstein". O desafio consistia em conseguir programar um robot, de forma que seguisse os comandos estabelecidos pelos jovens. Missão cumprida. O trabalho em equipa, a troca de ideias e as indicações dos monitores do Instituto Superior Técnico levaram à concretização do objetivo. A terminar a sessão, todos os robots seguiam os comandos programados informaticamente pelos alunos. "Sem este projeto não seria possível dar aos alunos a oportunidade de manusear estes robots. Estes Kits da Lego custam cerca de 500€ cada. Este protocolo entre a União de Freguesias e os Agrupamentos tem sido de facto uma mais-valia. A par com o intercâmbio de conhecimentos, o acesso a novas tecnologias tem sido muito interessante. As escolas não têm capacidade financeira para ter estes equipamentos que são muito caros", refere Natércia Dias. Por isso, há regras básicas no laboratório, que os alunos bem conhecem e respeitam. Apesar da euforia de conseguir alcançar os objetivos propostos, os festejos expressam-se de forma calma e os robots são utilizados com precaução e responsabilidade.

No Agrupamento de Escolas da Bobadela, onde a cooperação com o Instituto Superior Técnico tem surtido efeitos bastante positivos, à semelhança do que acontece em Santa Iria de Azóia e São João da Talha, a Ciência era já uma aposta do estabelecimento de ensino, antes da assinatura do referido protocolo. No ano letivo de 2006/2007, foi aprovado o projeto "Laboratório de Matemática", seguido do "Clube de Ciências Experimentais". Mas a adesão aos projetos e o aumento do número de alunos no estabelecimento viria a criar a necessidade de ter um espaço próprio para estas atividades. Foi então que a Associação de Pais e Encarregados de Educação da EBI da Bobadela apresentou um projeto à Ciência Viva, no âmbito do Concurso Pais com Ciência e assim nasceu a Fábrica da Ciência, que desde essa altura tem tido um papel importante na divulgação desta disciplina junto de todos os alunos do agrupamento, do pré-escolar ao 3º ciclo.

"Com o apoio da Câmara Municipal de Loures, que contribuiu com a verba para as obras necessárias à transformação de um balneário num laboratório, e o valor atribuído pela Ciência Viva, que nos permitiu equipar o espaço, nasceu a "Fábrica da Ciência", explica a Coordenadora. Uma fábrica que pretende incutir nos mais jovens o gosto pelas ciências experimentais, a matemática e envolver a família em atividades como a Noite Astronómica. Ao que parece a Ciência tem um futuro risonho na União de Freguesias de Santa Iria da Azóia, São João da Talha e Bobadela.

Paula Gomes

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