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Notícias | Desporto e Lazer

Gastronomia

As favas

3 de maio de 2020
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Estamos em maio. Esse mês em que a primavera se exibe com força, num pleno de cores e sabores únicos, e dos quais apenas conseguimos obter a devida frescura nesta altura. Este ano, o mês de maio, é vivido de uma forma diferente, pois não podemos desfrutar do sol, dos aromas do campo e de absorver essa sua energia ao ar livre. Estamos confinados em casa, a proteger-nos a nós e aos outros, a reajustar modos de vida e formas de pensar, em face deste flagelo que nos assola.

Não posso, por isso, deixar de dedicar uma palavra de solidariedade e incentivo a todos os estabelecimentos do concelho em geral, mas em particular, à restauração. A razão de ser desta rubrica. Este é um dos ramos mais afetados nesta pandemia e que vive dias difíceis, que determinam alterações críticas.

Uns ajustaram-se ao take-away, outros estão em lay-off, e alguns haverá que não sabem se terão condições para reabrir. Mas pensemos positivamente, no nosso espírito vencedor, inspirados na energia renovadora da primavera, e vamos acreditar que todos estarão brevemente a funcionar. É dessa renovação, da primavera, do maio, e das favas, que quero falar-vos hoje.

Essas, que “maio as dá, maio as leva”. Essas mesmas que se diz que “são contadas”, quando a vida é fácil e nos corre bem, ou que determina paciência, pela “mulher da fava-rica”, quando vale a pena esperar, por algo que recompensa. No primeiro caso eram “contadas”, por serem utilizadas, desde o império romano, como forma de apuramento de votação, favas clara/brancas seriam um SIM, enquanto favas escuras/pretas seriam o NÃO.

E daí a expressão – “são favas contadas” quando algo é dado como adquirido. Já no caso do “até vir a mulher da fava-rica”, significa o longo tempo de espera por algo compensador. A sopa de fava-rica, (fava seca para ser demolhada de véspera) que era transportada à cabeça pelas vendedeiras que apregoavam e que reconfortava o estômago de quem a esperava. E sem querer entrar pela canção do José Cid, que “se pelava” por umas favas com chouriço, - no tema “a pouco e pouco”- , quero deixar-vos aquilo que preparei para esta rubrica este mês. Umas belas favas com entrecosto, em receita simplificada.

As favas ainda eram miúdas, mas muito saborosas – compradas no mercado municipal de Loures – e foram a cozer previamente, por 2 minutos, com uma pitada de sal, e retiradas da água, que se reserva à parte. Num tacho largo, entrou um pedaço de toucinho, que após deixar a sua gordura, foi retirado., para nele refogar cebola, alho e louro. De seguida foram introduzidos os enchidos alentejanos de Estremoz, - chouriço de carne e morcela-, para fritar um pouco antes de alourar a carne.

Quando esta começa a estalar, é regada com um copo de vinho branco, e pouco depois entram os cheiros. Um generoso ramo de coentros e hortelã. Deixar namorar tudo, acrescentando um pouco da água - de cozer as favas – o necessário para não ficar muito aguado.

Depois de ferver um pouco, é hora de juntar as favas, já pré-cozidas, Deixar apurar, e já está! Podem encontrar a receita simplificada na minha página gastronómica do facebook - https://www.facebook.com/gastronominhas Para acompanhar, e para desenjoar a gordura dos enchidos, prepararei uma saladinha fria “à alentejana”, como a minha Mãe apresentava sempre que fazia as favas.

Umas folhas de alface cortada fininha e muitos coentros, juntar meia cebola nova bem picadinha, juntar água fresca e uns cubos de gelo, temperar com um fio de azeite e vinagre a gosto, sal e pimenta. Depois contem-me como foi. Os morangos são outra das frutas de maio.

E por isso escolhi-os para sobremesa. Apenas com açúcar, umas gotinhas de limão e umas folhinhas de hortelã fresca. Sempre presente, um vinho tinto Regional Alentejano – Herdade dos Cotéis, que harmonizou na perfeição com tudo. Meus caros, aproveitem o mês de maio, confinados, mas de estômago consolado. Preparem as vossas refeições em casa, mas não deixem de usar os serviços de take-away dos estabelecimentos locais.

 

João Patrocínio

Jurista

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