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Notícias | Cultura

Sobre a Banda da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Loures

Um livro para a posteridade

9 de maio de 2017
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No dia 8 de abril, pelas 15 horas, no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Loures foi apresentado o livro “Da Sociedade Philarmonica Recreio Musical de Loures à Banda da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Loures.» Uma edição patrocinada pela Junta de Freguesia de Loures que, desta forma, contribuiu para propagar no tempo a História de tão estimada Banda. Numa mesa composta pelos autores do livro, Ana Paula Assunção e Augusto Pinto, pelo vereador António Pombinho, pelo presidente da Junta de Freguesia de Loures, Manuel Glória, pelo presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Loures, Carlos Monserrate, pelo maestro António Saiote e pelo professor da Escola Superior de Música, Paulo Gaspar.
Os discursos foram emotivos e carregados de boas recordações.

Ana Paula Assunção
Ana Paula Assunção fez o balanço final de colaborar num projeto com antiguidade e peso na freguesia.
Primeiro foi um privilégio. Tive a possibilidade de consultar documentação não lida, não trabalhada. Para um historiador é sempre uma imensa gratidão a oportunidade de ler coisas que outros olhos não leram. Por outro lado, ler coisas que outros já leram, e encontrar aquilo que ninguém reparou. Foi extraordinário recuar até ao tempo do Largo do Chapola, conseguir imaginar o que teria sido a vida de uma coletividade de uma Loures que não tem nada a ver com a presente. Nós não tínhamos nenhuma referência cultural, e de repente emerge uma associação, os valores do Fontismo, a regeneração da pátria que também era feita através da atuação, dos atores, das peças. Era importante demonstrar ao resto do mundo que Portugal estava a erguer-se, que havia estradas, que havia comunicação, mas também havia cultura, E a cultura era o povo saber algo. Perceber o contexto nacional e vê-lo emergir no contexto local, é de uma extraordinária emoção e o livro foi escrito com imensa emoção: primeiro por ter descoberto esta energia de fazer emergir pessoas, a questão de ter a confiança do presidente da Associação dos Bombeiros, depois a colaboração com o Augusto Pinto.
Estas colaborações permitiram-me passar de uma oralidade traduzida como documento, para uma oralidade comprovada e assertiva do que aconteceu realmente. Esta oportunidade de poder escrever história, ajudando a valorizar os testemunhos dos mais velhos e contando com várias colaborações, foi muito importante.
Porquê uma Associação juntar-se aos Bombeiros? É uma questão de impostos. Ainda hoje se vê isso. Todas as atividades eram retribuídas e tinham de pagar impostos e, obviamente, que a sociedade recreativa ganhava quase nada. Ia a Frielas e os de Frielas vinham aqui, ia a Fanhões e depois os de Fanhões vinham aqui. Era uma troca de amizades e de serviços para os cofres comuns. Mas não levavam dinheiro verdadeiramente. Então como é que podiam pagar impostos por uma atividade que era tão irrisória? Esta junção a uma associação humanitária sem fins lucrativos, de facto, foi útil. A junção resultou bem, porque a própria freguesia identificou as duas numa. Como refiro no livro, quando se batem palmas não é apenas para os músicos, mas também para os bombeiros. No concelho de Loures poucas são as instituições de movimento associativo que dedicam tempo à sua história, também são poucas aquelas que valorizam os arquivos antigos. Não temos documentos antigos. São documentos de memória, são ligações hipotéticas. Também pode servir como um bom exemplo a ser seguido. Desta forma senti um orgulho profundo em poder contribuir para a história da minha terra. Dediquei o livro aos meus pais, porque sempre apoiaram estas causas e eu sinto-me herdeira, também porque sou associada dos bombeiros. Esta minha gratidão é em nome de um projeto que também tenho na minha própria vida: o conhecimento só me é útil quando o transmito, quando é partilhado.

Augusto Pinto
O que significa para si colaborar nesta obra com dados históricos e bibliográficos de grande importância e que constituem uma referência?
É difícil encontrar palavras e sentimentos para descrever o prazer que se tem em participar. Com a idade que tenho e o legado que recebi, uma vez que sou de uma família de músicos e bombeiros, é algo que é indissociável dentro desta Associação. São valores intrínsecos de quem vive, de quem aprendeu os sentimentos novos que tem a música e o corpo de bombeiros. É isto que nos guia. Não há palavras que dignifiquem o trabalho de escrever este livro: no fundo é transcrever algumas palavras para um livro, de pessoas que contribuíram para esta história e eu, simplesmente, fui um testemunho vivo de alguns e de algum acervo que consultei, relatando o que significa pertencer a esta Associação.
O meu avô foi fundador da Banda. Desde que existe Banda em Loures, toda a minha família, de graus muito próximos, tem pertencido sempre à Banda: o meu avô, tios, a minha filha. Foi o tal legado que recebi, foi de berço e sempre me tocaram muito. Penso que conseguimos transmitir a importância da Associação bem como das pessoas que souberam enobrecê-la.

Carlos Monserrate
Qual a essência e importância deste livro, não só para a Banda mas também para os Bombeiros?
O livro é muito importante porque tem um registo histórico, tem a ver com referências do passado até 2016. É um documento escrito que fica como registo histórico da Associação. A Associação só possui dois livros: um feito há 30 anos por ocasião do centenário e agora este específico para a Banda. No livro centenário, o capítulo relativo à Banda tem meia dúzia de páginas, este agora tem duzentas e é um registo histórico, que serve para demonstrar a todas as pessoas, nomeadamente a toda a população, a importância da Banda, porque muita gente não tem memória e apenas vê aquilo que acontece no presente. Por isso é importante que compreendam que para existirmos, antes passaram por aqui muitas pessoas que contribuíram com o seu trabalho. É um marco na história da associação.

Manuel Glória
Qual a importância que o livro tem para a Freguesia de Loures, em particular para os Bombeiros e para a Banda Filarmónica?
Isto tem a ver com o nosso trabalho de fundo na revitalização da nossa cultura e da história, em que este livro é, até ao momento, o último pormenor, no sentido em que é o mais recente, num processo que começa com as Tertúlias nos Periquitos, em que revisitámos a vida social e a história da cidade. Depois a edição do livro das Almoínhas e agora a edição deste livro, em que pretendemos trazer à superfície aquilo que são os nossos valores, a estrutura social e a história da freguesia, onde sem dúvida nenhuma está sempre presente a Banda de Loures, tal como os Bombeiros. Portanto, tem havido uma orientação da Junta de Freguesia neste sentido, em que por felicidade encontramos pessoas extremamente dedicadas à memória coletiva como a Ana Paula Assunção, o Augusto Pinto e a D. Albertina. Temos conseguido assim um conjunto de vontades e de meios que têm contribuído para este trabalho que é fundamental para a continuidade da nossa comunidade. Preparar o futuro conhecendo o passado.

António Saiote

Qual foi a importância das bandas no seu percurso e na sociedade portuguesa?
Por altura da Revolução Francesa, a banda nasce por uma necessidade social e de comunicação: não havia televisão, não havia rádio, as pessoas não sabiam ler e, neste sentido, a banda nasce como uma disseminadora da mensagem revolucionária. Mas ainda hoje as bandas têm essa importância. A banda é a imagem da sociedade. No meu percurso foi fundamental, para aprender a estar em qualquer local, a nível social. Para perceber que numa banda pode tocar qualquer pessoa. Estamos todos ao mesmo nível. É um fator agregador da sociedade.

Pedro Santos Pereira

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