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Notícias | Cultura

Comunidades – Imigração Moldava em Portugal

Moldavos seguem sonhos até Portugal

3 de setembro de 2016
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Sergiu Oleinic é, porventura, um dos mais ilustres imigrantes moldavos em Portugal. Professor de judo de profissão, integrou a comitiva que foi aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, tendo alcançado um honroso nono lugar. Há mais de 10 anos em Portugal, Oleinic revela que o sonho olímpico, caso tivesse permanecido na Moldávia, seria muito mais difícil. Um sonho que já motivou milhares de outros moldavos a imigrar para Portugal.

Porque veio viver para Portugal?

Estou há 10 anos e três meses em Portugal. Vim para cá com 20 anos, com o objetivo de conseguir melhores resultados no judo. Quem sabe ir aos Jogos Olímpicos, o que agora acabou por se concretizar. No meu País, não havia condições a nível económico para praticar judo, por isso vim para Portugal à procura de melhor sorte.

Foi fácil a integração num novo país?

Como sou praticante de judo, penso que, como acontece com qualquer outro desporto, a adaptação a um novo país acaba por ser bastante mais fácil. É muito mais simples fazer amizades e integrarmo-nos. No início, quando cheguei, houve logo alguns croatas que me ajudaram na adaptação ao novo país.

Quantos moldavos viverão hoje em Portugal?

Em tempos, houve muitos moldavos em Portugal. Não sei ao certo os números, mas penso que, há 10 anos, havia muito mais moldavos em Portugal do que existem agora. No auge da imigração, terão vindo para Portugal mais de 13 mil moldavos, não se sabendo ao certo quantos se encontram ainda no País. Até porque muitos acabaram por adquirir a nacionalidade portuguesa ou a dupla nacionalidade, não contando, por isso, para as estatísticas de imigração.

Onde estão mais estabelecidos?

Os moldavos vivem sobretudo, em Lisboa, onde há mais emprego e nalgumas cidades do interior, principalmente na região norte, onde ainda há alguma indústria. Eu, por exemplo, vivi dois anos em Torres Novas, onde existia trabalho na indústria e nas fábricas. Por isso, havia lá uma comunidade moldava – e de outros cidadãos do leste europeu – muito significativa.

Quais as motivações dessa imigração?

A maior parte da imigração moldava vinha em busca de uma vida melhor, uma vez que a situação económica, nomeadamente em termos de oferta de emprego, era muito difícil na Moldávia. Na sua maioria, vinham pessoas na casa dos 30 ou 40 anos, já com família, mas que vinham antes para preparar tudo, para trazer o resto da família mais tarde. Portugal é um país onde as pessoas gostam de viver e de se integrar na sociedade. Por isso, muitos moldavos vieram com o intuito de ganhar dinheiro e regressar, mas acabaram por decidir ficar a trazer o resto da família.

Tem notado alterações nesse fluxo migratório?

Hoje em dia, cada vez vêm menos moldavos para Portugal, sobretudo porque hoje é muito mais difícil arranjar emprego cá. Recordo que, há 10 anos, era muito mais fácil arranjar emprego em Portugal do que é hoje. Havia muito mais oferta e o trabalho era encarado de outra forma. Lembro-me que, no meu primeiro emprego em Portugal, que foi numa fábrica, ninguém me perguntava quantas horas trabalhava. Se quisesse, podia trabalhar, 10, 15 ou 16 horas seguidas, que ninguém me mandava embora. Hoje, isso não acontece. Há metas e limites e não deixam trabalhar mais do que um determinado período de horas. Aliás, essa fábrica já nem sequer existe. Embora a situação económica e política na Moldávia até tenha piorado nos últimos anos, a verdade é que cá é muito mais difícil encontrar emprego, por isso o número de moldavos a imigrar para Portugal diminuiu bastante.

Com a crise económica, houve moldavos a sair de Portugal para outros países?

O meu irmão, por exemplo, há sete anos, voltou para a Moldávia e voltou a imigrar, mas agora pra Inglaterra, onde vive atualmente. Muitos moldavos deixaram Portugal e imigraram para Inglaterra, França e Alemanha, onde há mais emprego. No entanto, todos se referem a Portugal como o melhor local para viver. Nos países europeus mais fortes economicamente é melhor para trabalhar e ganhar dinheiro, mas o melhor país para viver e estar integrado é Portugal.

Existem iniciativas para juntar a comunidade moldava em Portugal?

Existe um centro comunitário moldavo em Portugal, chamado Martisor, que organiza vários encontros entre a comunidade no País. Como me integrei facilmente desde o início, estou um pouco distante desse centro mas, por vezes, ainda gosto de lá ir para recordar os meus laços e as minhas ligações à Moldávia, onde ainda tenho família.

A comunidade moldava em Portugal costuma juntar-se no Natal e no dia 21 de Março, o primeiro dia da Primavera, que é considerado, na Moldávia, um dia simbólico e muito importante. Nesse dia, a comunidade junta-se e organiza concertos e convívios entre todos. Sei também que há vários festivais entre a comunidade moldava, que são muito participados.

A comunidade moldava está bem integrada na sociedade portuguesa?

Acho que a comunidade moldava está bastante bem integrada na sociedade portuguesa. Até porque, na Moldávia, fala-se o romeno, que é uma língua que vem do latim. Isso faz com que os moldavos, como os romenos, tenham muito mais facilidade em aprender o português e, consequentemente, comunicar e integrarem-se. A maior parte da comunidade moldava em Portugal está estável e tem emprego. Com essa estratégia, de virem primeiro os pais para organizar a vida e, só depois, mandar vir o resto da família, é mais fácil conseguir estabilidade e organização.

André Julião

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