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Notícias | Cultura

Equipamento

Biblioteca Ary dos Santos em Sacavém

4 de junho de 2016
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Qual é a expectativa relativamente a esta biblioteca no que diz respeito à afluência e interligação?

Nós temos a expectativa que este venha a ser um equipamento muito utilizado pela população da zona oriental. A construção da Biblioteca Ary dos Santos vem dotar a zona oriental do Concelho de um grande equipamento neste domínio da rede de leitura pública. Vai ter uma área de incidência que vai desde Santa Iria de Azóia até Moscavide. Desse ponto de vista esperamos que venha a ter muitas dezenas, senão centenas de utilizadores diariamente, à semelhança do que acontece com a Biblioteca Municipal José Saramago. Estes percursos demoram tempo, não acontecem de forma imediata. Havemos de construir este percurso. Temos consciência de que nos primeiros tempos não teremos essas centenas diárias de utilizadores, mas havemos de lá chegar e vai ser seguramente um dos sítios bastante utilizados na área da cultura no Município de Loures.

A população envolvente tem uma percentagem de idosos bastante elevada. Acredita que a leitura dos jornais diários, poderá ser uma forma de atrair para a leitura dos livros e tendo ainda em conta a luminosidade que a biblioteca proporciona, tornando-a num local apetecível onde as pessoas se sintam bem?

A nossa estratégia passa por termos uma oferta muito diversificada. Vamos ter no piso 0 a área de leitura de periódicos, área de leitura informal. Vamos ter igualmente no piso 1 o acesso aos livros, o acesso à internet onde as pessoas podem fazer as suas consultas e a área multimédia com a possibilidade das pessoas poderem visionar um filme, ou ouvirem música de acordo com a sua escolha e preferência, confortavelmente instalados dentro do equipamento. É um piso intermédio, zona dos adolescentes e dos adultos, onde há uma grande concentração em termos de oferta e possibilidade de utilização do espaço.

A par disso vão existir muitas outras atividades em termos de animação. Na Sala Herberto Goulart vamos ter programação regular de atividades de animação, que podem passar por pequenos apontamentos musicais, por sessões de leitura de poesia, pelo lançamento de um livro, por sessões formativas. Será sempre um espaço colocado ao serviço da comunidade, ou seja, não vai ser só a programação própria da equipa de animação da Biblioteca Ary dos Santos que vai utilizar este espaço, ele também vai estar à disposição daqueles que apresentem propostas interessantes e queiram utilizá-lo. Desse ponto de vista, a estratégia que está criada, é nossa convicção, que vai trazer públicos muito diversificados que vão depois interessar-se por outra área de conhecimento.

A biblioteca está preparada tanto para pessoas de mobilidade reduzida como também para as pessoas que têm filhos.

Procuramos facilitar o acesso a todas as pessoas. As pessoas de mobilidade reduzida têm uma reserva de estacionamento à porta da biblioteca, o edifício foi todo ele concebido numa lógica acessível. O cidadão que se desloca, por exemplo numa cadeira de rodas pode sair no parque em frente à porta de entrada, aceder ao interior do edifício e fazer a sua circulação dentro do mesmo de uma forma fácil (o edifício foi todo pensado também com esse objetivo) através do ascensor que permite aceder aos três pisos. As instalações sanitárias também estão dotadas de equipamento adequado.

Os pais que venham com crianças, com bebés, queremos que também sejam utilizadores frequentes e regulares da nossa Biblioteca; pretendemos que não seja uma limitação, mas que seja antes um desafio, trazer os seus bebés. O equipamento está por isso dotado de um fraldário. Gostaríamos que as crianças, sobretudo as mais pequeninas, fossem grandes utilizadores: temos uma zona direcionada exatamente ao público infantil, que corresponde ao piso 2, onde vai ser possível terem acesso a atividades de animação.

Podemos dizer que o edifício está dividido por sectores?

Está, mas a ideia não é compartimentar ou segmentar. A ideia é que as pessoas possam de forma franca circular entre os diferentes espaços. É perfeitamente possível um avô ou um pai pôr a sua criança de três anos a assistir a uma atividade de animação na “Hora do Conto”, no piso 2 e ir ler um periódico na zona da entrada. Ou enquanto uma mãe faz uma consulta sobre um livro que lhe interessa na zona de adultos, a criança tem atividade lúdica na zona que lhe está destinada. Tudo isto tem complementaridade. O edifício tem uma filosofia de oferta para diferentes áreas, para diferentes faixas etárias. A ideia é que toda a família possa utilizar este espaço.

O espaço exterior também poderá ser utilizado?

Sim. O espaço exterior, tal como a sala polivalente, queremos que sejam bastante utilizados e, simultaneamente, um complemento ao que é possível encontrar em sede de sala de leitura. É um pequeno jardim, que permite às pessoas que, por exemplo queiram ler um periódico, possam estar nessa zona, não só para ler, mas também para conversar, apanhar um pouco de sol. É uma espécie de jardim privativo dos leitores da biblioteca.

Esta é uma zona de difícil estacionamento. Houve preocupações com essa área?

Sacavém, e o local onde a Biblioteca está instalada, é uma zona complicada do ponto de vista do estacionamento. Procurámos criar condições para que os leitores possam, desde logo, ser desafiados a utilizar meios que não passem pelo transporte individual. A Biblioteca está muito próxima de paragens de transportes públicos, que asseguram tanto para as pessoas que vêm da zona de Santa Iria de Azóia, São João da Talha, Bobadela o acesso à biblioteca, como quem vem da zona da Portela, Moscavide e Camarate. A Biblioteca está por isso muito bem localizada, do ponto de vista do acesso ao serviço de transportes públicos da zona. Até para quem quiser vir de comboio, a estação dos comboios não estará a mais de 500 metros. Dentro de pouco tempo vai ser possível também as pessoas poderem utilizar a nova ciclovia, que vai permitir ligar Moscavide, Portela e Sacavém até praticamente à porta da Biblioteca, que tem previsto estacionamento para bicicletas. O nosso incentivo é que as pessoas possam fazer as suas deslocações de forma pedestre, de transportes públicos e utilizar a bicicleta. Mas para as pessoas a quem isto não seja possível, procuramos facilitar a vida da seguinte forma: vai ser possível aos nossos leitores utilizar o Parque da Avenida Estado da Índia, gerido pela LouresParque, de forma gratuita durante duas horas, durante o período normal de funcionamento em que há um operador no parque, facilitando a utilização do transporte individual.

Qual foi o valor da obra no seu todo?

Ainda não estão completamente apurados os valores, mas contabilizado o custo do edifício, o acervo bibliográfico, o equipamento mobiliário, etc, ficará acima de um milhão e 300 mil euros, é a nossa convicção. O financimento é de um milhão e 200 mil euros e provém do Instituto de Turismo. Foi uma das contrapartidas para a perda de território que o município de Loures teve a favor do município de Lisboa, num processo de que todos estamos recordados e que lamentamos profundamente. Os restantes 100 mil euros são da Câmara. É de referir ainda, que são também contabilizados os custos de manutenção e conservação do edifício e a equipa de pessoal. Desse ponto de vista esta biblioteca é um pequeno milagre, porque foi montada com uma equipa de funcionários municipais que não foram admitidos para este efeito. Fazemos um enorme esforço no sentido de rentabilizar ao máximo os recursos humanos que temos. Um equipamento desta dimensão e qualidade tem de ter uma dúzia de pessoas em permanência a prestar serviço e não foi fácil fazê-lo, sem admitir ninguém. Só foi possível porque fizemos um trabalho no interior da Câmara Municipal visando mobilidades internas, procurando encontrar pessoas que tivessem habilitações para este efeito, ou seja, que fossem BAD, bibliotecários, arquivistas e documentalistas e, por fim, convencer os outros serviços a libertá-las, o que não é fácil.

Pedro Santos Pereira

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