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Notícias | Cultura

Companhia de Teatro do Concelho recebe convite para o mais conceituado festival alternativo mundial

Artelier? no Burning Man

5 de março de 2018
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A Artelier? é uma companhia artística, de âmbito nacional, que deu os primeiros passos há duas décadas, pela iniciativa de Nuno Paulino, dramaturgo urbano e diretor, um pensador fora da caixa.
Com um novo conceito de animação comunitária, voltada para o teatro e circo, os seus espetáculos de rua denotam influências etno-punk e tradfolk, estilos muito próprios. Atores e malabaristas, vestidos a rigor, desfilam carros alegóricos e construções originais, ao som de música e por entre fogo, chamando a atenção de pessoas de qualquer idade. Coloridas performances em video mapping fazem também parte do repertório, que se pretende diversificado.
Funcionam como uma espécie de serviço de abastecimento poético e artístico, destinado a espaços públicos, lugares não convencionais e de interação comunitária.
Com sede no concelho de Loures, já se lançaram em países como Espanha, Rússia ou China, tendo as ruas de Portugal, amplamente percorridas, o sabor especial de quem se sente em casa.
Dez anos depois do início desta aventura, formaram o grupo de Teatro Nacional de Rua ou TNR, uma associação sem fins lucrativos, destinada à defesa da dignidade das artes de rua e dos direitos dos artistas. Recentemente, foram criadas pelo governo novas regras para a atribuição de apoio às artes, onde as de rua se incluem, como atividade profissional.
Em paralelo, criaram também a Plataforma de Artes de Rua, um projeto formativo e cultural, que promete trazer mais atividade e diversão à localidade.

Participação no Burning Man

Este ano, curiosamente perto da data em que comemoram 20 anos, comprovam mais uma vez que, acreditar naquilo que se faz, nos leva longe.

O diretor do conhecido festival Burning Man, convidou Nuno Paulino a estar presente no próximo evento, que decorrerá entre 26 de agosto e 3 de setembro, no deserto do Nevada, nos Estados Unidos, depois de ter visto um dos seus espetáculos. Esta é a primeira companhia artística portuguesa, com uma estrutura organizada, a ser convidada a participar. Desta viagem, de observação e convivência, deve resultar o projeto a apresentar no mesmo local em 2019.

Giuliana recebe bandeira azul

A notícia foi-nos revelada em primeira mão, a bordo da embarcação Giuliana, associada à Artelier?, um clássico veleiro de 36 pés, o equivalente a 11 metros, no mesmo dia em que se hasteou a emblemática bandeira da Associação Bandeira Azul. Este gesto vem confirmar a política de compromisso com o ambiente, que tem vindo a ser adotada e que se enquadra nos princípios do festival americano.
Além das praias e marinas pode, também esta bandeira, ser atribuída a embarcações que subscrevam um código de conduta e assumam um compromisso de ordem ecológica e ambiental com os oceanos. Em Portugal, apenas cerca de 35 possuem esta distinção.
Apesar da chuva, que não era intensa, a conversa manteve os sorrisos largos, como se ninguém desse por falta do sol e, este, é o espírito de Nuno Paulino e da Companhia.
Pretendem-se realizar iniciativas de limpeza do oceano a bordo do Giuliana, bem como alterar, progressivamente, alguns materiais utilizados, como é o caso dos confettis de plástico, capital de alegria das crianças e dos mais velhos, não fosse ser tão nocivo para o planeta.
Além dos eventos programados para o país, destaca-se a sua participação no festival ‘Mappin Me’, em Medina del Campo, em Espanha, no próximo mês de agosto, integrando a senda de criação ‘on the road to Burning Man’. 

Burning Man

Nascido em 1986, numa praia de São Francisco, o Burning Man é hoje um dos maiores eventos artísticos a nível mundial, dedicado à arte e à vida em comunidade, contando com mais de 50 mil participantes.
Realizado anualmente em Agosto, no deserto de Black Rock, no Nevada, nos Estados Unidos da América, não se assemelha a um festival tradicional, sendo uma espécie de acontecimento disruptivo, aberto a novas emoções e vivências.
Aparentando ser uma metrópole temporária, quase tudo o que acontece é criado pelos participantes, que se envolvem nesta experiência durante uma semana. Todos são encorajados a expressarem a sua criatividade, através de obras de arte ou performances, numa grande galeria a céu aberto, que tem no centro uma escultura de madeira intitulada por ‘Burning Man’.
Num local onde nada se vende, para além de água e café e, onde tudo se troca, no que respeita a alimentação, inclui-se música e dança, momentos que podem ser até meditativos e de renovação interior. Embora seja aberto a qualquer pessoa, só são convidados a expor a sua arte os melhores.
Outra das principais obras de arte é o ‘Templo’. Durante toda a semana, os participantes deixam mensagens, fotografias ou lembranças de pessoas que já partiram. No final do festival, o Templo é queimado, simbolizando a queima do sofrimento pela ausência dessas pessoas. O mesmo destino terá o Burning Man, que arderá no encerramento.

Joana Leitão

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