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Notícias | Atualidade

PSP deixa de policiar jogos de futebol das distritais

"Vamos ter tragédias permanentes"

5 de fevereiro de 2019
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O policiamento em jogos de futebol das distritais de Lisboa e do Porto, nos escalões de formação, está em risco. A PSP já notificou os clubes de que não haverá agentes destacados para todos os jogos.

O Comando Metropolitano do Porto da PSP e a PSP de Loures, na zona da Grande Lisboa, informaram os clubes de futebol de que, a partir de março, deixará de existir policiamento nos jogos de risco normal ou reduzido nos escalões de formação dos campeonatos distritais, a não ser em situações excepcionais.

Fonte da PSP garante à TSF que aquilo que está em causa não é a redução de efetivos, mas apenas o cumprimento do decreto-lei 216/2012, que estabelece a "não-aceitação de pedidos de policiamento remunerados para eventos desportivos cuja requisição não seja obrigatória ou cuja regra seja a dispensa de policiamento".

O Jornal de Notícias dá conta de que, pelos serviços de cinco polícias num jogo de seniores de futebol distrital, um clube paga 122 euros, sendo que os restantes 50% são pagos pelo Ministério da Administração Interna. Num jogo de juniores, o policiamento custa aos clubes 33 euros, o que corresponde a 20% do valor total. O valor diminui para 12 euros nos jogos de juvenis e para 8 euros nos jogos de iniciados.

O regulamento prevê que, não existindo polícia no campo, o clube visitado deve indicar dois delegados de apoio à organização dos jogos, mas tem de comunicar a hora e localização do jogo à polícia, para qualquer eventualidade.

 

Associações de futebol e sindicato dos polícias condenam decisão

 

O presidente da Associação de Futebol de Lisboa (AFL), Nuno Lobo, afirma não ter conhecimento oficial desta decisão, tendo apenas sido informado da mesma pelos clubes da área de intervenção da PSP de Loures.

Uma medida que diz receber com "muita tristeza" e que considera que "só pode ser tomada por alguém que não tem conhecimento do mundo real, que está sentado em gabinetes, longe da realidade".

Em declarações à TSF, Nuno Lobo responsabiliza, desde já, o Governo e a PSP pelo aumento da violência desportiva que resulte destas novas regras.

"Com esta medida, vamos ter - não tenho dúvidas - tragédias permanentes nos jogos", garante o presidente da AFL. "Obviamente que as associações desportivas e as federações vão ter de responsabilizar aqueles que são, em última análise, os responsáveis por tudo isto: o sr. ministro da Administração Interna e o comandante nacional da Polícia de Segurança Pública."

O presidente da Associação de Futebol de Lisboa atira responsabilidades ao Governo e à PSP.

Nuno Lobo acredita que se trata apenas de uma "medida economicista". "Não tem a ver com a redução de efetivos, mas, sim, com aquilo que tem sido a política dos últimos anos: a redução de custos custe a quem custar, sem olhar àquilo que são as consequências imediatas".

Uma posição partilhada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), que deixa um alerta: a ausência de agentes da polícia vai impedir a prevenção da violência e obrigar à repressão, por parte das forças policiais, quando estas forem chamadas a intervir devido à existência de problemas.

No mesmo plano, o Presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol considera a decisão "irresponsável".

"Não conseguimos perceber esta atitude, que de um momento para o outro exista este comportamento por parte das forças de segurança públicas. Se nós já tínhamos, em 2012, cometido o erro de acabar com o policiamento, com o decreto-lei n.º 216, estamos agora a agravar a situação. Estas decisões só podem vir de quem não tem a mínima noção da gravidade das situações que acontecem no futebol distrital. Não falo só dos árbitros, falo da segurança de todos os intervenientes: dos miúdos, dos adeptos, dos pais."

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