Anuncie connosco
Pub
Notícias | Atualidade

Treino animal

«Ensino um cão a sentar-se em cinco minutos»

9 de março de 2018
Partilhar

Roger Abrantes, um português, também dinamarquês, da ciência e do mundo, com mais de 40 anos de experiência em treino e comportamento animal, explica como o conhecimento sobre as necessidades dos animais domésticos, aliado ao treino de pessoas e animais, favorece a relação entre ambos, criando harmonia, bem-estar e qualidade de vida.

Biólogo evolucionista e etólogo de profissão, Roger Abrantes é o diretor científico do Ethology Institute, uma instituição científica sediada em Cambridge, que se dedica ao treino e comportamento animal, com mais de 5 mil alunos espalhados pelo planeta.

Fez investigação, escreveu 27 livros, dezenas de artigos, deu aulas e, aos 67 anos, continua a fazer palestras e a formar pessoas em todos os continentes, o que fará brevemente em Portugal.

Convidado habitual de programas de televisão e rádio na Dinamarca, já viveu neste e noutros países, de entre eles Portugal, Reino Unido e Tailândia, carregando consigo um pouco do mundo inteiro.

Estudou o comportamento de alguns animais, onde se inclui o lobo e, treinou e tratou de outros, com problemas comportamentais. Pela mão, já lhe passaram mais de 10 mil, entre cavalos, cães, gatos, porquinhos da índia, ratos, aves e outros.

Talvez só a curiosidade o tenha levado a escolher esta profissão e a vida envolveu-o nela, quase por coincidência.

 

Ethology Institute

No Instituto, além de cursos e treinos, tratam-se animais com problemas de comportamento agressivo, entre outros, através de programas que permitem detetar a sua origem e encontrar a solução adequada. Com uma taxa de sucesso de 85%, o detentor é envolvido em todos eles, devendo aprender a aplicá-lo em casa, sob pena da reação em questão voltar a verificar-se.

Os métodos e técnicas utilizadas dependem do animal e do seu comportamento, não existindo standards, pois indivíduos diferentes requerem tratamentos distintos.

 

O problema da subestimulação

A principal razão que está por trás dos problemas comportamentais é a subestimulação, o que significa que confinamos animais a certos espaços, sem lhes fornecermos atividades físicas e mentais que os desenvolvam e lhes permitam viver adequadamente.

Programas de estimulação implementados em cães, gatos, cavalos, porcos e galinhas, comprovaram o desaparecimento da maioria dos problemas detetados. Neles foram desenvolvidas atividades ao ritmo adequado a cada animal, consideradas as suas características individuais, método utilizado em alguns países do norte da Europa, desde a década de 80.

 

Observação e respeito

O que diminui a qualidade de vida dos animais é a sua subjugação constante a condições que não lhes permitem adaptar-se.

Para se criar uma relação com o animal é necessário observá-lo e, depois, respeitá-lo. Observar a forma como comunica, conhecer as suas necessidades e personalidade e, entender o porquê do seu comportamento, tratando-o como um indivíduo que não é um ser humano.

 

Benefícios do treino

Na opinião do Professor, todos os animais, humanos e não humanos, deviam ser treinados para viver em sociedade e, para todos eles, existem boas e más escolas, dependendo dos fins, dos métodos utilizados e da habilidade e conhecimento dos professores.

O treino permite que se previnam ou resolvam problemas de comportamento agressivo, necessidades fora do local, ladrar excessivo, ansiedade, problemas em lidar com outras pessoas ou animais e disciplina. Acima de tudo, é importante ensiná-los a integrarem-se nas suas casas e na comunidade, devendo esta aprendizagem abranger os seus tutores, de forma a que não se transfiram para os animais, responsabilidades que são do ser humano.

Como darwinista, acredita que nenhuma espécie é superior às outras, não sendo a favor da submissão do animal ao ser humano, embora inibições sabiamente aplicadas, a par de reforços positivos, para o Cientista, sejam impossíveis de não utilizar, reforçando que a violência cria comportamentos indesejados.

 

Treinadores

Os bons treinadores não repreendem agressivamente um animal, física ou verbalmente e, quando têm que o fazer, significa que os seus métodos não são adequados e que já se cometeram erros pelo caminho.

Apesar de existirem pessoas que se dedicam ao treino de cães no concelho de Loures, não existe em Portugal regulamentação nem credenciação deste tipo de atividade, exceto para treinadores de cães perigosos e potencialmente perigosos, pelo que qualquer pessoa se pode intitular de treinador, perito ou consultor.

No caso dos cães e dos gatos, todos se julgam especialistas e, muitos acham que podem ser profissionais, apenas porque sabem um pouco sobre estas espécies, no entanto, ser treinador de animais requer conhecimentos mais profundos, conforme refere o Professor. Tais competências podem ser adquiridas através de programas de certificação internacional disponíveis online no site do Instituto, a qualquer pessoa e em qualquer lugar, cuja duração costuma rondar dois a três anos.

 

O Seminário

Decorrerá na Pedrulha, em Coimbra, nos próximos dias 7 e 8 de abril, entre as 10 e as 18 horas, destinando-se a todos os profissionais da área animal, bem como a famílias com animais de estimação. Esgotadas as vagas com cão, restam individuais a 99 euros.

Deste evento, que será o último que fará em Portugal, pode esperar-se uma análise crítica sobre a nossa relação com os animais, inspiração e ferramentas para fazermos os nossos próprios estudos bem como, conselhos práticos e demonstrações feitas no momento, que incluem ensinar um animal a sentar-se em menos de cinco minutos, sem recurso a palavras, fazendo apenas uso da linguagem corporal.

Dois dias, não são suficientes nem para se treinar um cão nem um detentor, o que requer, pelo menos, cerca de 16 horas de teoria e o dobro de prática, distribuídas ao longo de algumas semanas. No entanto, enriquecimento e melhorias são garantidos.

 

Joana Leitão

Última edição

Gala Notícias de Loures

Gala | Notícias de Loures

Opinião

Eleições

Newsletter