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A “saga” dos lavadouros de Ribas de Cima

6 de agosto de 2016
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Uma obra da Junta de Freguesia de Fanhões abriu uma «guerra» entre o executivo e a população de Ribas de Cima. Tudo porque a Junta decidiu transformar dois, dos quatro lavadouros antigos existentes naquela aldeia, para servir de espaço de refeições e lavagem aos trabalhadores da Junta. A obra, que incluía ainda a reabilitação de uma casa de banho pública, revoltou a população ribadense e acabou mesmo por ser «chumbada» em Assembleia de Freguesia extraordinária, com a abstenção do PS, actualmente no executivo da Junta e os votos a favor dos restantes partidos. Pelo meio, aquela que é já conhecida como a «saga» dos lavadouros de Ribas de Cima, contou ainda com a demissão da secretária da Junta e actos de vandalismo às alterações efectuadas nos tanques.

Obra começa sem aviso

Tudo começou a uma segunda-feira, 11 de Julho quando, sem avisar a população – erro assumido ao NL pelo presidente da Junta de Freguesia de Fanhões, António Emídio - a Junta começou uma obra de «requalificação» de dois dos quatro lavadouros de Ribas-de-Cima. «Sem que fosse dado conhecimento aos moradores, o presidente da Junta de Freguesia de Fanhões resolveu mandar destruir dois dos quatro tanques existentes nos lavadouros de Ribas de Cima, lavadouros estes que foram construídos em 1954», conta Cristina Dinis, uma das principais opositoras da obra e criadora da página no Facebook «Indignados Contra a Destruição de Património», que recolheu manifestações de desagrado de parte da população ribadense.

«Há cerca de três anos que não eram utilizados, por não terem água, uma vez que o fornecimento foi cortado a pedido da Junta de Freguesia, alegando que um vizinho dos lavadouros desviava água para seu proveito», explica, acrescentando que, «antes de ser cortada a água, os tanques eram utilizados por moradoras que não tinham onde lavar as suas roupas».

Confirmando a falta de aviso prévio por parte da Junta, Cristina Dinis conta que «uma moradora ao vir do café e passando pelo local, viu que os dois tanques já estavam destruídos, tendo então dado o alerta a uma vizinha». De acordo com a moradora, só no dia 22, 11 dias depois de ter dado início às obras, e já depois de a mesma ter sido vandalizada, a Junta decidiu distribuir um comunicado «onde explicava as razões de tal obra, dizendo também que estava a ser alvo de uma incompreensível e injustificada contestação e coagindo os moradores a denunciarem à GNR ou à Junta os desordeiros e os covardes.»

O objectivo da obra passava, segundo o presidente da Junta de Freguesia de Fanhões, por servir a população e criar melhores condições de trabalho para os funcionários da Junta. «Dos quatro lavadouros existentes em Ribas de Cima, que não são utilizados há mais de três anos, o objectivo da Junta de Freguesia era recuperar dois, que ficariam ao serviço da população e os outros dois ficariam ao serviço dos trabalhadores da Junta», explicou ao NL, António Emídio.

«Estas obras foram feitas à semelhança de outras bem recentes, como as da Torre da Besoeira, onde usámos o espaço dos lavadouros para criar um local de apoio à equipa que presta serviços de saúde e ninguém protestou», avança. «Retirando dois dos lavadouros, podemos lá fazer uma casa com um fogão, onde é possível comer e os trabalhadores refrescarem-se, sendo que, além disso, qualquer pessoa pode usar aquela casa de banho e, como vamos repor a água, quem quiser usar os lavadouros que ficam, pode utilizar à vontade», explana António Emídio. «E a Junta ainda assume o pagamento da água, colocando-a e aos lavadouros ao serviço da população», acrescenta. No entanto, o responsável assume a falha de comunicação com a população: «É verdade que podia ter colocado um comunicado uns quatro dias antes, a avisar a população. É um erro que assumo com frontalidade.»

Cristina Dinis concorda com o objectivo da obra, mas adverte que «a população, embora esteja de acordo que a Junta dê todas e as melhores condições aos seus trabalhadores, estas condições nunca podem passar por destruir o nosso património, pelo que deve procurar outras alternativas.» Segundo a ribadense, a população local está «contra a destruição dos lavadouros, a descaracterização do património que é a imagem da aldeia, e principalmente triste com a destruição da traça original.»

Assembleia de Freguesia reverte obras

Os protestos dos ribadenses chegaram à Assembleia Municipal, mas a Câmara de Loures indicou que a intervenção nos lavadouros «é da responsabilidade da Junta de Freguesia.» Segundo a autarquia, «o espaço em causa é propriedade da Junta e por isso cabe-lhe fazer a gestão do espaço, não podendo a Câmara Municipal interferir nessas competências.» Apesar disso, a autarquia solicitou ao GIL - Gabinete de Intervenção Local -, que se deslocasse ao local para se inteirar da situação.

Decididos a não baixar os braços, os ribadenses que estão contra a obra criaram uma petição – em papel e na Internet – para tentar parar e reverter a situação. A 28 de Julho, o caso foi abordado em sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia, onde foi decidida, após votação, «a reconstrução/reposição dos lavadouros como estavam antes da sua destruição», revela Cristina Dinis. «Vamos aguardar que seja feito o mais breve possível», desabafa.

Por seu turno, António Emídio, que falou ao NL antes de se saber o resultado da Assembleia de Freguesia, defendia que «estes protestos são de uma dúzia de pessoas da aldeia que eu conheço bem e, quando, dias depois de as obras terem começado, fui a Ribas de Cima colocar um comunicado, só me deparei com pessoas que estavam de acordo com a obra e que me deram os parabéns.» O presidente da Junta de Fanhões defende ainda que «há sempre os desordeiros que gostam de criticar», acrescentando que «o meu antecessor está por trás disto, até porque vai haver eleições para o ano.»

André Julião

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