Anuncie connosco
Pub
Entrevistas

Rodrigo Moreira, médico campeão europeu de futsal

«O sentimento vivido não foi diferente de outras conquistas»

6 de março de 2018
Partilhar

Rodrigo Moreira, médico da seleção nacional de futsal, recentemente vencedora do europeu de futsal, fala-nos desta conquista, vista por dentro. Um testemunho de alguém que vive este desporto desde tenra infância, numa Freguesia onde ainda mora.

A paixão pelo futsal de Rodrigo Moreira foi sempre evidente. Desde os tempos em que praticava nos pátios, passando por quando foi acólito na paróquia de Cristo-Rei da Portela. Para quem o conhece, esta é uma marca que o persegue desde muito tenra idade.
Fez parte das equipas de formação da AM Portela, participou em muitos torneios da modalidade disputados no rinque e, ainda em idade adolescente, abraçou o trajeto de treinador, acompanhando Paulo Saltão na orientação de diversas equipas de formação no seu bairro. Muito cedo sentiu a alegria da vitória, com um triunfo inesperável no campeonato distrital de iniciados. Mais tarde esta dupla técnica rumou ao Sporting, onde se sagrou campeã nacional, também nos escalões de formação.
Posteriormente, a sua profissão voltou a abrir-lhe a possibilidade de colaborar com o seu desporto favorito, voltando a alcançar mais um feito digno de registo e pioneiro, ser campeão europeu.
Formou-se em 2002 na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, tendo em 2005 tirado uma pós-graduação em medicina desportiva na Universidade de Lisboa.
Neste momento desempenha funções no Hospital Curry Cabral, local onde começou e onde já se encontra há 13 anos, na Andrea Policlínica, na Portela, no SAMS, no Hospital da Luz, através da seguradora Tranquilidade, além da Federação Portuguesa de Futebol.

Qual a sensação de ser campeão europeu na modalidade que praticou e treinou? Foi a realização de um sonho?

Foi fantástico! Mais do que um sonho meu, foi o participar na concretização de um sonho de uma série de pessoas amigas, os jogadores, treinadores e dirigentes. É curioso que o sentimento vivido não foi diferente de outras conquistas que tive no futsal, como o campeonato distrital pela AM Portela, ou o campeonato nacional pelo Sporting. Quando se vence sabe sempre bem...

A final foi de grande trabalho, em função das diversas lesões. O principal destaque vai para a de Ricardinho, que não voltou a entrar na quadra. Sentiu que além dos olhares, muitas eram as esperanças que estavam depositadas em si, nesse momento?

Foi efetivamente uma final atribulada. As lesões de dois atletas decisivos na dinâmica da equipa, se por um lado fizeram tremer a equipa, por outro lado uniram ainda mais o grupo. A saída forçada do Ricardinho, fez vir ao de cima o coletivo, que é a grande virtude deste grupo. Quanto ao Bruno Coelho, só ele seria capaz de jogar nas condições em que estava e o facto de ter voltado a entrar na quadra para resolver o jogo deu-me um gosto especial. Ainda assim, preferia um jogo sem protagonismo...

Deu a ideia que foi a vitória de um grupo, a exemplo do que aconteceu no futebol em 2016. Já tendo participado em diversas fases finais de mundiais e europeus, como descreve o espírito desta equipa?

Esta equipa, este balneário é diferente das outras com que já trabalhei. Senti isso aquando do apuramento para este Europeu, realizado na Roménia em Abril 2017... e comentei isso. Apesar do grupo se manter estável ao longo dos anos, foram entrando elementos importantes no espírito da equipa. E não falo apenas dos atletas, existem elementos fundamentais neste grupo, desde o técnico dos equipamentos, até à equipa técnica.


Como é que surgiu a oportunidade de servir o futsal através da sua profissão?

Quando em 2011, fui convidado para integrar o corpo clínico da Federação Portuguesa de Futebol, disse logo que apenas queria trabalhar com o futsal. Foi-me dito que teria que aguardar a minha oportunidade. Quando essa oportunidade surgiu, em 2013, sabia que jamais a iria perder, pois o meu conhecimento enquanto traumatologista e enquanto conhecedor da modalidade era uma mais valia grande neste cargo.

De que forma entende que este título pode contribuir para o desenvolvimento da modalidade?

Existe um efeito imediato pela aposta na modalidade a nível de patrocinadores e no mediatismo. Ouvi nos últimos dias várias pessoas dizerem-me que nunca tinham visto um jogo de futsal e que adoraram. Se houver procura, a modalidade cresce... Por outro lado em qualquer desporto, quando se conquista um título europeu ou mundial, gera-se uma onda de entusiasmo em volta da prática dessa modalidade nas comunidades locais. O resultado desta aposta será visível dentro de 10-15 anos, com uma nova geração marcada por um título que presenciou.

Esta equipa e o futsal, com este título, tiveram um espaço mediático como nunca tinham tido, tendo sido recebidos e, futuramente, distinguidos pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O que significa isso para si?

O mundo do futsal não está nada habituado a isto. Mas este protagonismo foi merecido pela excelência desta participação, que culminou com um título inédito na modalidade e pouco frequente no desporto nacional em geral. As palavras do Prof. Marcelo foram para agradecer a nossa prestação, por esta transmitir esperança ao nosso povo. Também sentimos isso aquando da chegada ao País e nos dias que se seguiram. É com orgulho que vejo este reconhecimento.

A Freguesia, em especial a Portela, sempre teve uma grande ligação ao futsal. Acredita que esta vitória poderá vir a aumentar o número de praticantes na Freguesia?

Recordo a Portela cheia de crianças e jovens a jogar nos pátios, com torneios com muitas equipas, com as bancadas cheias. Os tempos são outros. Dificilmente voltarão a ter tantos jovens a praticar futsal, contudo, juntamente com a base de todo o desporto que é o desporto escolar, é de esperar uma nova vaga de aposta forte no futsal.

Já teve funções de jogador, treinador e médico na modalidade. Perspetiva mais alguma no futuro, como, por exemplo, dirigente?

Enquanto me sentir confortável e gostar do ambiente de me rodeia no futsal continuarei a desempenhar estas funções. Quando deixar de ter estas funções, e porque o futsal faz parte de mim, é natural que possam surgir outros desafios.

Das funções que já desempenhou, e referidas anteriormente, qual a que mais lhe agradou?

Cada uma foi desempenhada em determinada fase da vida e teve o seu tempo. Vivia-se para aquilo. A função atual de médico de equipa é claramente aquela em que sinto que desempenhei com maior competência, pelo que além do prazer que me dá, sinto que também estou a ajudar a equipa.

Incentiva os seus filhos a jogarem futsal?

Incentivo à prática de desporto em geral.

Os seus desempenhos anteriores, como jogador e treinador, ajudaram-no a dar-lhe uma maior experiência na avaliação e tratamento de lesões?

O conhecer a modalidade ajuda a identificar situações de risco ou lesões características deste desporto. É sempre uma vantagem perceber a especificidade da modalidade, contudo a grande maioria das lesões é transversal às várias modalidades.

Qual a maior aprendizagem que o futsal pode trazer, não só a nível físico, como comportamental e, assim, contribuir para a vida pessoal?

No futsal, como em qualquer desporto coletivo, temos de perceber que somos apenas uma parte do todo. Sem a ajuda do outro que se encontra ao nosso lado, dificilmente chegaremos a bom porto. Isto aplica-se a toda a nossa vida.

Pedro Santos Pereira

Última edição

Gala Notícias de Loures

Gala | Notícias de Loures

Opinião

Eleições

Newsletter